A civilização humana e a música

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Prof. Pablo Michel Magalhães
Licenciado em História - UPE
Especialista em Docência da Filosofia - UCAM
Mestre em História - UEFS

Quem vive sem música, não é mesmo? Ela é a arte de combinar os sons e o silêncio, e se nos dedicarmos a prestar atenção, os sons a nossa volta mostram que a música é parte de nossas vidas.

Ela está em nossos batuques, quando cantarolamos algo no chuveiro, na rádio, TV, em todas as mídias. É como uma linguagem universal, que sensibiliza o ser humano.

Acredita-se que a música tenha surgido há 50.000 anos, e suas primeiras manifestações ocorreram no continente africano, expandindo-se pelo mundo com o dispersar da raça humana pelo planeta. Para entendermos a música e seu contexto de criação, precisamos entender que a organização sociocultural e econômica, bem como as características climáticas e o desenvolver tecnológico de cada grupo humano, influenciam de forma condicionante.

A pré-história é o palco inicial para o desenvolver artístico do ser humano. Para além dos utensílios cotidianos, utilizados no caçar, cozinhar, pescar, os hominídeos desenvolveram instrumentos de som que lhe permitiam construir sequências musicais. Rudimentos de flautas construídas com ossos mostram isso, seguindo as fontes arqueológicas.

Seguindo essa esteira, não devemos esquecer da tradição musical indígena. Ao longo de séculos, as tribos ameríndias apreciaram a dança e a música em seus rituais religiosos. Para algumas tribos, ela foi um presente dos deuses, cansados do silêncio que imperava no universo. Para outras, ela vem do mundo dos sonhos, onde habitam as tribos míticas de animais e ancestrais. As canções, entoadas por toda a tribo, são o ponto central dessa cultura musical, mas instrumentos também são comuns: por exemplo, o maracá, que é um instrumento percussivo, e a flauta são constantemente vistas nos rituais.

Na Grécia, a música vinha dos deuses. Apolo era frequentemente referenciado como divindade musical, assim como Pã, que dançava e cantava enquanto perseguia as ninfas. É em Atenas que encontraremos o Aulos, instrumento de sopro muito apreciado à época, criado naquela cidade. Entre os gregos, contudo, a lira era o instrumento popular (era um instrumento de cordas, similar à harpa).

As Musas eram as inspiradoras das artes e das ciências. Não à toa, o termo música, ou mousike, refere-se à arte das musas.

Em Roma, a música foi influenciada pelos gregos, etruscos e pelo ocidente. Os romanos utilizavam a música na guerra para sinalizar ações aos soldados e “cantar vitória”. Além disso, possuía um papel fundamental na religião e nos rituais sagrados. Geralmente, os instrumentos eram tocados por mulheres, às sacerdotisas. Também nos deixaram de herança um instrumento denominado “trompete reto”, que eles chamavam de “tuba”. O uso do “hydraulis”, o primeiro órgão cujos tubos eram pressionados pela água, era frequente.

A cultura egípcia, por volta de 4.000 anos a.C., alcançou um nível elevado de expressão musical, pois era um território que preservava a agricultura e este costume levava às cerimônias religiosas, onde as pessoas batiam espécies de discos e paus uns contra os outros, utilizavam harpas, percussão, diferentes formas de flautas e também cantavam. Os sacerdotes treinavam os coros para os rituais sagrados nos grandes templos. Era costume militar a utilização de trompetes e tambores nas solenidades oficiais.

Na Ásia, a 3.000 a.C., a música se desenvolvia com expressividade nas culturas chinesa e indiana. Os chineses acreditavam no poder mágico da música, como um espelho fiel da ordem universal. A “cítara” era o instrumento mais utilizado pelos músicos chineses, este era formado por um conjunto de flautas e percussão. A música chinesa utilizava uma escala pentatônica (cinco sons). Já na Índia, por volta de 800 anos a.C., a música era considerada extremamente vital. Possuíam uma música sistematizada em tons e semitons, e não utilizavam notas musicais, cujo sistema denominava-se “ragas”, que permitiam o músico utilizar uma nota e exigia que omitisse outra.

A Igreja, durante a Idade Média, ditou as regras culturais, sociais e políticas de toda a Europa, com isto interferindo na produção musical daquele momento. A música “monofônica” (que possui uma única linha melódica), sacra ou profana, é a mais antiga que conhecemos, é denominada de “Cantochão”, porém a música utilizada nas cerimônias católicas era o “canto gregoriano”. O canto gregoriano foi criado antes do nascimento de Jesus Cristo, pois ele era cantado nas sinagogas e países do Oriente Médio. Por volta do século VI a Igreja Cristã fez do canto gregoriano elemento essencial para o culto. O nome é uma homenagem ao Papa Gregório I (540-604), que fez uma coleção de peças cantadas e as publicou em dois livros: Antiphonarium e as Graduale Romanum. No século IX começa a se desenvolver o “Organum”, que são as primeiras músicas polifônicas com duas ou mais linhas melódicas. Mais tarde, no século XII, um grupo de compositores da Escola de Notre Dame reelaboraram novas partituras de Organum, tendo chegado até nós os nomes de dois compositores: Léonin e Pérotin. He also began the “Schola Cantorum” that gave great development to the Gregorian chant.

O primeiro sistema musical de escrita, por volta do século IX, criado pelo monge italiano Guido d’Arezzo (995 – 1050) foi responsável por criar um sistema silábico, utilizado para dar nome às notas.

Ele utilizou como base um cântico a São João Batista. Cada verso era cantado em um tom, correspondente aos já conhecidos:

Ut queant laxit

Ressonare fibris

Mira gestorum

Famuli tuorum

Solvi polluti

Labii reatum

Sancte Ioannes

Durante o século XIX, o sistema de Guido foi adaptado para transformar-se no SOL-FÁ tônico dos nossos dias, e usado para ensinar não-músicos a cantarem música coral. Foi nessa época que alguns tons foram reformulados de modo a facilitar o canto. Ut tornou-se DÓ e SA tornou-se SI (iniciais de Sancte Ioannes)

O Renascimento no Período Moderno foi palco para o surgimento da “polifonia”, ou seja, a variação melódica e de sons dentro de uma música. É o período em que as músicas “profanas” se popularizam, evidenciando o distanciamento da Igreja em relação à produção musical. Surgem com variações nacionais: o “Madrigal” italiano, a “frótola”, o “Lied” alemão, o Villancico

Após esse período, temos a música Barroca, com seu auge por todo o século XVIII. As músicas tinham conteúdo dramático e bem elaborado. Nesse período surge a ópera musical. Na França, os principais compositores eram Lully, que trabalha para Luis XIV, e Rameau. Na Itália, Antonio Vivaldi. Na Inglaterra, Haëndel. Na Alemanha, Johann Sebastian Bach.

A Música Clássica vem logo após o Barroco. O termo “clássico” deriva do latim classicus, que significa: cidadão da mais alta classe. Esse momento é marcado por Haydn, Mozart e Beethoven, com o surgimento das orquestras. A “Sonata”, que vem do verbo sonare (soar), do latim, surge aqui também. Para quem não conhece, Sonata é uma obra em diversos movimentos para um ou dois instrumentos.

Porém, enquanto os compositores clássicos buscavam um equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade, os compositores do Romantismo queriam uma liberdade da estrutura e da concepção musical, valorizando a intensidade e o vigor da emoção. Inicia-se pela figura de Beethoven, passa por Chopin, Schumann, Wagner, Verdi, Strauss e Tchaikovsky. As valsas vienenses são as músicas que marcam este período.

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