História do Futebol feminino no Brasil

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Prof. Pablo Michel Magalhães
Licenciado em História - UPE
Especialista em Docência da Filosofia - UCAM
Mestre em História - UEFS

A história do futebol feminino brasileiro vai muito além de gols e glórias. Falar sobre esse assunto é falar sobre resistência e luta contra tabus quase que intransponíveis. Ao longo de anos, em nosso país, as mulheres sofreram proibição e preconceito. De atração de circo a país de grandes nomes do futebol feminino, essa história tem muito suor e lágrimas. Hoje, você historiante conhecerá um pouco desse trajeto.

As primeiras referências de partidas de futebol disputadas por mulheres surgiram nos anos 20. Os registros de jornais mostram a prática, ainda de forma muito tímida, no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Norte. Pode parecer piada, mas o circo traz algumas das primeiras referências do uso das palavras “futebol feminino”. Era tratado como uma performance, um show. Não uma partida.

Até a década de 40, o futebol entre mulheres estava longe de clubes ou grandes ligas. O que se sabia era de práticas periféricas do esporte. Não há registros de uma seleção. Apesar de ainda não ser proibida, a modalidade era considerada violenta e ideal apenas para homens.

Após 1940, o cenário principiou uma tímida mudança. Tivemos, neste momento, jogos entre mulheres no Pacaembu, por exemplo. Em vez de fomentar a prática, essa visibilidade gerou revolta em parte da sociedade. As notícias sobre mulheres jogando futebol provocaram esforços da opinião pública e autoridades da época para a proibição. A primeira proibição ocorreu através de um processo de regulamentação do esporte no Brasil. Criou-se o CND (Conselho Nacional de Desportos). Na época, sob a alçada do Ministério da Educação. Em 1941, os debates sobre profissionalização e amadorismo começaram a ter mais força. Foi assim que a temática dos esportes femininos se tornou uma demanda do CND. Foi então instituído um decreto-lei (3.199, art 54). O texto trazia de forma mais geral que as mulheres não deveriam praticar esportes que não fossem adequados a sua natureza. Apesar de não ser citado nominalmente, o futebol estava ali inserido.

Em 1965, já no governo militar, o decreto-lei é novamente publicado. Desta vez, de forma mais detalhada. Assim como em 1941, circulam novas notícias de mulheres jogando futebol de forma clandestina. Por conta da proibição, poucos registros foram resgatados até hoje. Desta vez, a deliberação cita especificamente a modalidade.

DECRETO-LEI N. 3.199 – DE 14 DE ABRIL DE 1941

CAPÍTULO IX: DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompativeis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.

Apenas no fim da década de 70 foi revogada a lei que proibia as mulheres de jogarem futebol. É o início de uma nova jornada para a modalidade entre as mulheres. O fim da proibição, no entanto, não muda o panorama para as mulheres e o futebol feminino não recebe estímulo de clubes e federações. Apenas em 1983 a modalidade foi regulamentada. Com isso, foi permitido que se pudesse competir, criar calendários, utilizar estádios, ensinar nas escolas. Clubes como o Radar e Saad surgem como pioneiros no profissionalismo. Eram alguns dos times competitivos da época.

Em 1988, a Fifa realizou, na China, um Mundial de caráter experimental. Em inglês, foi chamado de Women’s Invitational Tournament. A seleção montada para a competição tinha como bases o Radar, do Rio, e o Juventus (SP). As jogadoras viajaram para o Mundial com as sobras das roupas dos homens, porque decidiu-se não confeccionar roupas específicas para elas. Foi um torneio que serviu de pontapé para o desenvolvimento da modalidade feminina em todo o mundo. Ao todo, 12 seleções participaram, e o Brasil ficou com bronze nos pênaltis.

1991 foi o ano da primeira Copa do Mundo Fifa de Futebol Feminino. A CBF assumiu o time oficialmente, mas o tratamento ainda era muito amador. O Brasil viajou com boa parte das atletas que disputaram o torneio experimental. Pretinha, ainda muito jovem, também fez parte da seleção comandada pelo técnico Fernando Pires. O Brasil teve menos de um ano de preparação. Foi eliminado logo na primeira fase. A zagueira Elane marcou o primeiro gol do país em torneios Fifa, na vitória diante do Japão. A equipe, no entanto, perdeu jogos para Estados Unidos e Suécia.

Os Jogos de Atlanta em 1996 marcaram a estreia do futebol feminino em Olimpíadas. A seleção brasileira, repleta de veteranas da geração anterior, terminou na quarta colocação, ficando muito perto do pódio. Com Meg, Marisa, Fanta, Suzy, Sissi, Pretinha, Roseli e outras, a equipe deixou a medalha escapar na disputa pelo bronze diante da Noruega. Perderam por 2 a 0.

De lá pra cá, o futebol feminino no Brasil passou por altos e baixos incontáveis. Infelizmente, a modalidade ainda é vista como amadora e secundária em comparação ao futebol masculino. Dentre tantos tabus, as mulheres futebolistas brasileiras ganharam o mundo. Não à toa, a melhor jogadora do mundo é brazuca: Martha, eleita 6 vezes a melhor do mundo.

Esse ano, na Copa da França, todos os corações do mundo estão pulsando pelas guerreiras de chuteiras. E nós, claro, vibrando muito pelas nossas poderosas boleiras! A taça é nossa!

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