Katherine Johnson, uma estrela além do tempo.

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Prof. Pablo Michel Magalhães
Licenciado em História - UPE
Especialista em Docência da Filosofia - UCAM
Mestre em História - UEFS

Katherine Johnson é uma física, cientista espacial e matemática estadunidense. Ela deu contribuições fundamentais para a aeronáutica e para a exploração espacial dos Estados Unidos, em especial em aplicações da computação na NASA. Há 3 anos, em 2016, ela foi incluída na lista de 100 mulheres mais inspiradoras e influentes pela BBC.

Sua história foi contada no formidável filme “Estrelas além do tempo” (Hidden Figures, 2016), película dirigida por Theodore Melfi e roteirizado por ele e por Allison Schroeder. Além dela, são representadas no filme as matemáticas Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que tiveram estudos e participação fundamental nas empreitadas espaciais da NASA.

Katherine Johnson era uma jovem apaixonada por contas. Sua facilidade com os números foi logo notada na Universidade. Atento a isso, Dr. William W. Schiefflin Claytor, um dos professores do colegiado, identificou em Johnson um enorme potencial para pesquisa e buscou auxiliá-la a dar os primeiros passos nesta área. Para isso, fez o possível para garantir que ela pudesse cursar todos os cursos de matemática e chegou ao ponto de criar uma classe de geometria analítica espacial especialmente para ela. Mas, apesar da facilidade e do talento para a coisa, Johnson sabia que não estava sozinha e sempre tinha o cuidado de ajudar os colegas.

Ela foi uma das mulheres negras que formavam uma equipe no Centro de Pesquisa Langley para calcular a trajetória dos primeiros lançamentos espaciais, operações que hoje são feitas por computadores, mas nos anos 1960 os “computadores usavam saias”, segundo suas palavras, recolhidas em vários documentos que a Nasa dedica à cientista especial em seu site na internet.

Foram seus cálculos que ajudaram a missão Apolo 11 a ter sucesso e Neil Armstrong a pisar na Lua (1969), mas também os que estabeleceram a trajetória da primeira viagem ao espaço de um americano, Alan Shepard (1961). Quando a Nasa começou a usar computadores para a missão em que John Gleen orbitou a Terra pela primeira vez (1962), Katherine foi consultada para verificar os cálculos da máquina. “Se ela diz que são bons, então estou pronto para ir”, disse o astronauta, segundo lembrou a própria Katherine.

De fato, a Nasa reconhece em seu site que “não teria sido possível fazer essas coisas sem Katherine Johnson e seu amor pela matemática”. 

A trajetória desta mulher negra, em um espaço dominantemente masculinizado e branco, joga luz a uma série de pensadores, pesquisadores e cientistas negros e negras que, sem o devido respeito e espaço, foram secundarizados da narrativa histórica da ciência. O próprio filme, em seu título original, Hidden Figures faz uma alusão a este fato – figuras escondidas, personagens escondidos, e, consequentemente, esquecidos pela grande narrativa oficial.

Reconhecer o trabalho de Katherine Johnson, Dorothy Vaughan, Mary Jackson e tantas outras é o mínimo que a ciência deve fazer, evidenciando que o conhecimento não tem gênero, cor, identidade sexual ou qualquer outro rótulo.

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