“Marvin, a vida é pra valer. Eu fiz o meu melhor. E o seu destino eu sei de cor”.

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André Ramalho

Nada mais feudal que ter a vida decidida no exato momento do nascimento. Tataraneto de servo, servo será! Sem pódio de chegada, zero expectativa! E tudo ainda pode ser pior quando o roteiro insiste no mesmo cenário. Afinal, quantas gerações ainda esperam no Morro da Providência por aquilo que não virá?

O Renascimento projetou o ser humano como referência para todas as questões. Ousou profundamente e eternizou um Deus humanizado na Capela Sistina. Teríamos nas mãos a caneta para escrever nossa própria história e nenhum problema resistiria ao uso da razão. Falhamos miseravelmente! O antropocentrismo se converteu em agudo egocentrismo. Há dúvidas se somos soberanos sobre nós mesmos nessa liberdade vigiada.

IGUALDADE só perante a lei. LIBERDADE para economia. FRATERNIDADE entre proprietários. A Era das Revoluções tornou as mercadorias livres, mas levou a miséria aos Extremos. Massificamos, plastificamos e distribuímos sistemas de servidão.

O capitalismo possuiu brechas, pequenas possibilidades de mudança social. Uma linha fininha separa a realidade do canto da sereia. Comprar determinadas marcas não nos colocam num grupo diferente do que pertencemos. A OSTENTAÇÃO NÃO SE SUSTENTA! O tênis caro pisa na lama para entrar no barraco. Geladeira frost free está no gato. Celular de última geração não tem crédito. Consumir não traz plenos direitos, mas pode massagear o ego.

E assim, não achamos absurdo que nem todos tenham as mesmas oportunidades e condições. Mais ainda, que possam ser donas do próprio caminho, como muitos de nós imagina ser. Como numa bola de cristal maligna, onde a sorte não aparece, o futuro repete o passado, o destino sempre se cumpre, viver é sempre véspera do fim.

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