A seca de 1915 e os campos de concentração no Nordeste.

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Prof. Cleber Roberto
Especialista em História do Brasil - Faculdade Montenegro
Licenciado em História - Universidade de Pernambuco

O Nordeste conviveu com vários períodos de estiagem, o pior deles conhecido como a Grande Seca de 1877-79 levou a morte centenas de milhares de nordestinos e outros tantos se refugiaram em outros locais, como nas cidades litorâneas, principalmente no Ceará, o estado mais afetado com a Grande Seca.

A seca de 1915 foi um novo flagelo para a população do interior do Nordeste. Novamente a seca fez com que diversos nordestinos migrassem para as grandes cidades, porém, ao contrário da Grande Seca, o governo cearense resolveu se precaver.

O governo criou, então, o chamado “Curral Humano”, o campo do Alagadiço, uma espécie de campo de concentração, separado por arames farpados e vigiado 24 horas por dia por soldados, com o intuito de confinar os flagelados pela seca, antes que estes retirantes chegassem a Fortaleza, “tranquilizando” a elite local.

As condições neste campo de concentração eram extremamente desumanas, as condições de higiene e limpeza extremamente precárias. Assim, morriam muitos sertanejos, de fome, sede e doenças. O local chegou a ter cerca de 120 mil pessoas, segundo o jornal Correio da Manhã.

Contudo muitos não conseguiam nem chegar a este “Curral Humano” e morriam pelas estradas e trilhas do sertão.

A Seca de 1915 foi descrita no grande livro de Rachel de Queiroz, O Quinze.

Os “Currais Humanos” foram novamente instalados na Seca de 1932, desta vez foram em vários locais do Ceará. Havendo uma maior organização que o campo do Alagadiço de 1915, mas ainda assim ocorreram mortes de sertanejos nestes campos de concentração na Seca de 1932.

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