Memórias de uma gueixa [Dica de leitura]

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Prof. Pablo Magalhães
Especialista em Docência da Filosofia - UCAM
Mestre em História - UEFS

Na dica de hoje, um romance tão delicado quanto duro: – Memórias de uma Gueixa (Arthur Golden). Em parte, pela delicadeza da construção das personagens; mas, também, pelo quadro histórico desenvolvido em torno da 2a Guerra Mundial e seus reflexos na sociedade japonesa.

O que é uma gueixa? Há aqueles que simplesmente taxam-na como prostituta. Mas há muito mais por trás dessas mulheres que se denominam “gueixas” do que podemos mensurar. É o que vamos descobrir ao longo das memórias ditadas por Nitta Sayuri, uma já idosa japonesa, moradora de Nova York. Sua trajetória, narrada ao historiador Jakob Haarhuis, parte de uma pequena vila de pescadores, onde Sayuri, uma pequena órfã, ainda se chama Chiyo, e vai até a bela cidade de Kyoto, onde a jovem se transforma em uma das gueixas mais afamadas e cobiçadas por toda a sociedade japonesa.

Ao longo desse processo, acompanhamos as desventuras dessa garota que, a princípio, é “comprada” para servir como empregada de um Okiya, uma casa de formação de gueixas. Lá, é perseguida por Hatsumomo, uma gueixa já formada e que se diverte ao torturar e provocar a pequena Chiyo, tudo isso por inveja dos belos olhos cinza-azulados da menina. Com o tempo, Chiyo vai se tornando uma bela mulher, e suas qualidades e atributos passam a ser observados pelas donas do Okiya.

Na trama, somos apresentados a um Japão tradicional em fase de metamorfose, numa marcante passagem de um país arraigado em antigas práticas culturais e a introdução de caracteres da cultura ocidental, em especial com a entrada de indivíduos norte-americanos no pós-guerra. A gueixa, esse personagem artístico que encanta pelos seus dons, mas que também está ligada a uma tradição sexual japonesa, também sofre com esse processo de transição cultural.

O livro é um belo romance, e sua singeleza dá a tônica da história. Mas, precisamos destacar as análises que Golden insere ao longo dos relatos de Sayuri: o papel feminino na sociedade japonesa da metade do século XX, extremamente machista e sexista, onde as mulheres estão sempre em espaço subalternizado; o papel dual prostituta/gueixa (a irmã de Sayuri acaba indo para um jorou-ya, um prostíbulo); a chegada dos conflitos da 2a Guerra Mundial no Japão e como isso influenciou nas relações sociais e na própria vida dos japoneses.

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