Olhos que condenam [Dica de série]

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Prof. Pablo Magalhães
Especialista em Docência da Filosofia - UCAM
Mestre em História - UEFS

Essa não é uma dica leve. Muito pelo contrário. Ela é um soco no estômago, um tapa na cara. Ava Duvernay nos apresenta uma minissérie sobre racismo e sistema prisional nos EUA, baseada em um caso real.

Cinco jovens negros do Harlem foram injustamente acusados de estuprarem uma mulher no Central Park.
Eles só foram inocentados em 2014, depois que evidências de DNA comprovaram que o grupo não estava conectado ao brutal crime contra Trisha Meili.

Acompanhamos o calvário dos rapazes que, submetidos ao julgamento midiático, entraram como culpados antes mesmo de apresentarem suas defesas. Os diálogos e as cenas, baseadas nos eventos reais dessa história, nos ambientam na sociedade norte americana racista e em como o povo negro pena (e muito) para sobreviver a esse sistema.

Nessa obra, somos mais uma vez apresentados ao contexto racial norte-americano e em como ele é determinante para o encarceramento de indivíduos da comunidade negra. É chocante o modo pelo qual a própria força policial atua tendo como baliza a criminalização da cor como fator crucial. Os jovens, que nada tiveram com o caso ocorrido, foram coagidos a admitir culpa, através de ameaças e de espancamentos.

Segundo Becky Pettit, professora da Universidade de Washington e autora do livro “Invisible Men: Mass Incarceration and the Myth of Black Progress”, não há desde o começo da década de 1990 aumento no índice de negros que conseguem concluir o ensino médio. Além disso, o padrão de vida também despencou. Além do aumento da pobreza, serviços básicos como alimentação, saúde, gasolina (utilidade considerada fundamental para os norte-americanos) e transportes público estão em preços inacessíveis para muitos negros de baixa renda. Mais de 70% dos moradores de rua são afrodescendentes.

Curioso é ver alguns personagens contemporâneos da política norte-americana atuando nesse caso, ainda que de forma indireta. Referi-mo-nos ao Donald Trump, à época ainda um simples magnata, que usou de sua condição econômica e de sua branquitude para incendiar a opinião pública contra o grupo de rapazes (ressalto, negros e um latino).

E, prepare-se para o que vamos afirmar: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander.

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