Quem foi Teresa de Benguela?

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Sua origem é incerta. Alguns registros portugueses se referem a ela como uma africana de Angola, embarcada no porto de Benguela. Contudo os historiadores não são unânimes e outros afirmam que ela nasceu no Brasil mesmo. Não há também sequer uma data aproximada de seu nascimento. É sabido, porém, que ela comandou o Quilombo do Quariterê – na região do Vale do Guaporé, em Vila Bela da Santíssima Trindade, no que hoje é o estado do Mato Grosso, quase na divisa com a Bolívia. E que o assentamento rebelde cresceu militar e economicamente, incomodando o governo escravista, que por duas décadas investiu contra ele sem sucesso.

A rainha Teresa, como era conhecida, comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo, mantendo um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas próximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que lá se refugiava eram transformados em instrumento de trabalho, visto que dominavam o uso da forja. O Quilombo do Guariterê, além do parlamento e de um conselheiro para a rainha, desenvolvia agricultura de algodão e possuía teares onde se fabricavam tecidos que eram comercializados fora dos quilombos, como também os alimentos excedentes.

Foi esposa de José Piolho, que chefiava os quilombolas da região. Com a morte de dele, Teresa se tornou a rainha do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luís Pinto de Sousa Coutinho e a população (79 negros e 30 índios), morta ou aprisionada.

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