A terra prometida pelo “Destino Manifesto” estadunidense

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Prof. Carlos Alberto A. Lima
Mestre em História - UEFS

Como citar este artigo:
LIMA, Carlos Alberto A. A terra prometida pelo “Destino Manifesto” estadunidense (Artigo). IN: O Historiante. Publicado em 06 de Maio de 2021. Disponível em: https://ohistoriante.com.br/blog/2019/07/13/a-terra-prometida-pelo-destino-manifesto-estadunidense/. ISSN: 2317-9929.

No atual momento, reportar-se aos Estados Unidos da América nos condiciona diretamente a comentar, analisar, refletir, sobre mais uma eleição bipolarizada na terra do Tio Sam. Desta feita tivemos o confronto entre o “multilateral” Barack Obama X o “obstinado” Mitt Romney. No entanto, não tenho objetivo, aqui, de tentar compreender quem seria melhor para o Brasil e para o mundo Islâmico, tampouco, quem seria mais ou menos democrático, e menos ainda, quais seriam as suas diferenças discursivas e ideológicas.

Deixemos esses questionamentos para os grandes veículos de comunicação ou para os ditos especialistas em política internacional. Além do mais, o resultado eleitoral já é um dado público e notório. Então o que nos sobra? Sobra tentar estabelecer uma conexão entre as programáticas dos dois grupos – Republicanos e Democratas – que polarizam historicamente o campo político/ideológico Estadunidense. Mais do que isso tentarei comprovar semelhanças no projeto dos dois partidos.

Seguindo o raciocínio, o que George Washington, Thomas Jefferson, Abrahan Lincoln, Franklin Roosevelt, Ronald Reagan, Bill Clinton, George W. Bush tem em comum? Resposta bem plausível, por sinal: todos seguem fielmente as diretrizes do “Destino Manisfesto”, pensamento político/ideológico criado no século XIX, no qual o povo dos EUA seria eleito de Deus, com a virtude de comandar o mundo e por isso o Imperialismo, seja ele econômico, cultural ou militar, não seria nada mais que a vontade divina. Representando essa doutrina, observemos algumas frases:

“Deus não criou este país para que fosse uma nação de seguidores. Os Estados Unidos não estão destinados a ser apenas um dos vários poderes globais em equilíbrio. Os Estados Unidos devem conduzir o mundo ou os outros o farão”; “Vamos reconhecer o que nos une além das fronteiras e forma a força deste país abençoado. Vamos abraçar nossa história e nosso legado”; “Eu não me oponho a todas as guerras, eu me oponho as guerras estúpidas”; “ Não existe uma América Liberal e outra conservadora: existe os Estados Unidos da América” ; “Nós acreditamos na América”.

A quem creditar esses aforismos? Sem delongas, foram pronunciados durante esta última campanha presidencial, pelo democrata Barack Obama e pelo Republicano Mitt Romney. A descoberta de quem foi o autor de cada uma ficará a cargo da pesquisa e da interpretação do leitor.

Para o professor Luis Moniz Bandeira, estudioso da política internacional dos EUA, o Destino Manifesto, contribui para, em cerca de 200 anos, transformar o “Império da Liberdade” dos pais fundadores da América para a “Liberdade do Império”, que age livremente sem respeito às fronteiras e que conta cinicamente com o apoio da ONU e dos seus organismos internacionais. Essa transformação age concomitantemente na estrutura burocrática do estado e as concepções comportamentais da própria sociedade.

Dentre as características desse “Destino Manifesto”, indubitavelmente, a mais perversa é a política imperialista, desenvolvida ao longo da História americana. É valido acrescentar, que essa passara por várias fases. Destacando-se: Imperialismo interno, iniciado ao findar a guerra de Independência contra a Inglaterra, que motivou uma expansão para o Oeste contra os Índios e Mexicanos, ajudando assim, na conformação do atual território. Já na política externa, que os transformaram na maior potência mundial, ganharam relevância os episódios oportunistas das duas grandes guerras mundiais, e os investimentos geoestratégicos no Oriente médio, como também a perversão da democracia na sua propalada Guerra ao terror.

A política imperialista Yanke tem duas facetas visíveis: uma bélica, marcada pelas guerras de pretextos, que imprime ao Estado uma militarização e que atinge a esfera econômica e cultural da sociedade. Temos como exemplos: a guerra que fizera contra a Espanha, em 1898, com o objetivo de incorporar alguns territórios (Cuba, Filipinas, Samoa) do Império Colonial Ibérico, que tivera como pretexto o afundamento do Navio Maine no porto de Havana e a guerra que empreendeu contra o Iraque/Afeganistão, tendo o pretexto da perseguição aos terroristas, após o “11 de setembro de 2001”, no qual o objetivo final seria o controle estratégico, seja por via da Guerra ou da Diplomacia, das reservas de petróleo nessas áreas. 

A segunda faceta seria no campo cultural/econômico propriamente dito, onde as fronteiras dos Estados Unidos alargam-se graças à política externa de mercado, somado à continuidade do ideal do “American Way of Life” como nos atesta o mesmo Moniz Bandeira: “ onde estiver as instalações petrolíferas da Standart Oil, ou os supermercados Wal Mart e os Fast Foods Mcdonnalds estarão os tentáculos e as fronteiras do império americano”.

Enfim, qual seja o dirigente dos Estados Unidos da América, qualquer que seja o seu partido, a sua política perpassará pelo controle e pela reprodução das práticas imperialistas. Assim, afirma a História, desejam os “escolhidos” americanos.

 Confira também:
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Livro "Formação do Império Americano; da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque", de Luis Moniz Bandeira.
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