BAAL: O DEUS SEMITA.

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Como essa antiga divindade cananeia se transformou em demônio na tradição cristã.

Prof. Pablo Michel Magalhães
Licenciado em História - UEFS
Especialista em Docência da Filosofia - UCAM
Mestre em História - UPE

Os povos semitas ocidentais eram politeístas (adoravam várias divindades), e seus deuses possuíam características muito parecidas. A eles, os semitas davam o nome de Baal. Juntamente com El, representava a divindade suprema do panteão cananeu.

Sendo uma divindade relativa à fertilidade, tinha sua imagem associada às chuvas que renovavam as colheitas. Seu principal rival era Mot, divindade da seca e da morte. Assim, Baal representava a vida e suas forças ativas, enquanto El tinha como principais atribuições a sabedoria e a prudência da vida adulta.

Com o tempo, o culto a Baal foi se espalhando, tendo os fenícios como principal civilização a adotá-lo. Para eles, o deus era Baal Shamem, senhor dos céus. As tribos israelitas, ao chegarem à Canaã (a terra prometida por Iavé nas tradições hebraicas), passaram a denominar de Baal todos os deuses locais, sem distinção. No século IX, a princesa Jezabel (fenícia, casada com Acabe de Israel), pretendeu instituir o culto ao seu deus, Baal, em detrimento do culto a Iavé, divindade única dos hebreus. Tal atitude fez com que os israelitas passassem a repudiar Baal, transformando esta divindade em uma personificação de todos os “falsos deuses”.

Além disso, havia a lenda de que cartagineses faziam sacrifícios de crianças (os primogênitos de cada família) ao deus Baal Hammon, Esses acontecimentos contribuíram para que os israelitas cultivassem uma imagem sanguinária desse deus semita.

No cristianismo, Baal Rafar é um demônio. Estudos cristãos o colocam como um dos principais agentes do mal e líderes do inferno. Baal ou Bael (as grafias mais significativas e utilizadas)  é citado vária vezes no antigo testamento, principalmente nos livros atribuídos ao profeta Moisés.

Baal veio significar às vezes o deus pagão local de um pessoa particular, e ao mesmo tempo todos os ídolos da terra. Igualmente encontra-se em diversos lugares no plural, Baalim ou Baals (2:11 dos juizes, 10:10). Havia muitas variações, tais como o deus do sol, o deus da fertilidade, e Beelzebuth, ou o “senhor das moscas”.

Ao longo de séculos, essa divindade cananeia passou a representar, no Judaismo e, posteriormente, entre as seitas cristãs da antiguidade, a personificação do mal, sendo aproximado à imagem de Lúcifer, o anjo caído do cristianismo.

Confira também:

– O livro sagrado do cristianismo, a Bíblia, possui várias passagens significativas sobre Baal. Por exemplo, 2 Reis 10, a partir do versículo 18, há o relato de como Jeú puniu, em Israel, os sacerdotes do deus cananeu.

No livro Levítico (que compõe o pentateuco, os 5 livros atribuídos a Moisés e primeiros livros da Bíblia), há vários trechos sobre Baal.

– Vale a pena dar uma lida no tradicional Livro de Outro da Mitologia, de Thomas Bulfinch, disponível pelas editoras Ediouro e Martin Claret.

– Há também O livro ilustrado dos Mitos – Contos e lendas do mundo,  de Neil Philip, que conta de forma leve e didática a história de várias lendas das religiões em todo o mundo.