Guerras Mexicanas no século XIX

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Prof. Cleber Roberto Silva de Carvalho 
Licenciatura plena em História - UPE 
Especialização em História do Brasil - Faculdade Montenegro

Muitos não imaginam, mas uma boa parte dos Estados Unidos pertencia ao México em meados do século XIX. Na década de 1820 o rápido crescimento no número de colonos norte-americanos na região do Texas (que subiu de cerca 300 famílias para 30 mil colonos apenas naquela década) pressionou o governo mexicano a ocupar várias cidades da região e a patrulhar suas fronteiras. As tropas mexicanas só foram retiradas da região em 1832. Mas quando o líder texano Stephen Austin reivindicou que o Texas se tornasse um a província autônoma, acabou sendo detido pelo governo mexicano por um ano e meio. Com o retorno das forças mexicanas na região, a tensão só aumentou e o confronto foi inevitável. Os texanos, recorrendo a ataques-surpresa e emboscadas, conseguiram, no final de 1835, expulsar todas as forças mexicanas da região.

Liderado pelo presidente e general Antônio Lopez de Santa Anna, um exército mexicano atravessou o Rio Grande para retomar o controle do Texas, e no seu avanço um dos primeiro choque ocorreu no Álamo, onde uma guarnição texana resistiu aos ataques. E enquanto os defensores resistiam no Álamo, uma convenção declarou a independência do Texas em 03 de março de 1836. No Álamo, os seus defensores, menos de 200 homens foram massacrados pelos mexicanos, que chegavam a 4 mil homens. A defesa do Álamo se tornou símbolo da resistência texana.

Após um avanço com diversas vitórias, o exercito mexicano foi divido para ocupar a maior área possível. Os texanos não se intimidaram e passaram à ofensiva, e a força do Texas se deparou com uma força mexicana liderada por Santa Anna, e após um rápido combate, os mexicanos foram derrotados com mais de 600 mortos e com o próprio Santa Anna capturado. No mês seguinte Santa Anna assinou dois tratados, conhecidos como Tratados de Velasco, onde reconhecia a independência do Texas. Mas que não foi ratificada pelo novo governo mexicano, que sucedeu o afastado Santa Anna.

Os texanos logo esperavam se integrar aos Estados Unidos, como o próprio presidente Sam Houston acreditava, mas a ideia foi recusada pelos estados contrários ao sistema escravista, que temia que o Texas fosse o ponto de desequilíbrio de força entre estados livres e escravocratas. Durante os anos seguintes a pressão para anexação do Texas pelos Estados Unidos só aumentava, devido à falta de recursos financeiros do Texas e os custos para manter suas defesas.

Em 1845 o Congresso norte-americano aprovou a anexação do Texas, e o recém-eleito presidente do Texas, James Polk, que defendia a anexação do Texas e Califórnia aos Estados Unidos, enviou uma delegação à Cidade do México, para negociar um acordo fronteiriço e a compra do Novo México e Califórnia por US$ 30 milhões. Os mexicanos trataram com desdém a delegação norte-americana, o que levou Polk a enviar tropas para disputada foz do Rio Grande, os mexicanos contra-atacaram, dando início à guerra.
O general americano Stephen Kearny capturou Santa Fé, no Novo México e em seguida avançou rumo à Califórnia, mas o local já havia sido ocupado pelo Batalhão da Califórnia, que era liderado pelo coronel norte-americano John Fremont. No Texas o comandante americano Zachary Taylor havia derrotado os mexicanos nas batalhas de Palo Alto e Resaca de La Palma e tomando Matamoros e Monterrey.

Santa Anna, que retornara do exílio em Cuba, voltou a liderar o país e organizou um exército e fez frente aos americanos na Batalha de Buena Vista. Contando com 12 mil homens, nove mil de infantaria e três mil cavaleiros, os mexicanos tomaram a ofensiva e os norte-americanos, que contavam com 4.500 homens, conseguiram rechaçar os inimigos, provocando grandes perdas nas linhas mexicanas, mas a batalha continuava equilibrada. Para sorte dos norte-americanos o general Santa Anna foi forçado a retornar a Cidade do México, diante de uma ameaça de golpe de estado.

Para romper com a aquele impasse os norte-americanos realizaram uma ofensiva pelo mar, a chamada Campanha de Veracruz, na costa caribenha. A cidade de Veracruz se rendeu após um bombardeio de três dias, e após o desembarque de 12 mil soldados, as forças norte-americanas iniciaram a marchar para o interior do México, impondo várias derrotas as forças de Santa Anna e após fracassadas negociações os Estados Unidos tomaram a Cidade do México.

A vitória norte-americana se seguiu com o Tratado de Guadalupe Hidalgo, de 1848, onde o México reconheceu a independência do Texas e sua anexação aos Estados Unidos, concordou em vender o território que compõem, atualmente, os estados do Novo México, Arizona, parte do Colorado, Utah, Nevada e Califórnia, pelo valor de US$ 15 milhões. Em 1853, o governo de Santa Anna aceitou um ajuste nas fronteiras, e por US$ 10 milhões os limites no sul do Novo México e Arizona foram ampliados.

É atribuída a constante instabilidade política do México, e desse modo, a dificuldade em se organizar militarmente, pela sua derrota contra os Estados Unidos.

As Guerras Mexicanas se descrevem em uma celebre frase do general Porfirio Díaz: “Pobre México. Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.

Mapa dos limites entre EUA e México em 1836.