Com as armas e os barcos assinalados: É a Holanda!!!

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Prof.ª Joyce Oliveira Pereira
Licenciada em História - UFMA
Mestre em História, Ensino e Narrativas - UEMA

É de conhecimento geral que a ‘Holanda’ e suas empresas comerciais marítimas invadiram/ocuparam diversas regiões do mundo, incluindo o ‘nordeste brasileiro’ durante o século XVII. Os atuais estados da Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão tiveram a presença neerlandesa em seus territórios a curto ou a longo prazo. Mas, você já se perguntou como essa grande potência surgiu?

Mais conhecidos como holandeses, os habitantes dos Países Baixos (Netherlands, em inglês), os neerlandeses, habitavam nas províncias da Frísia, Groninga, Gelderland/ Guéldria, Holanda, Overrissel, Utreque e Zelândia, que correspondiam às províncias no norte, e as províncias do sul, que correspondem a grosso modo hoje à Bélgica.

Netherlands 

A região dos Países Baixos é muito pequena e, à época, era ocupada, pelo lado do mar, por dunas estéreis, e estava sempre suscetível às inundações dos rios e canais. Entretanto, os neerlandeses não se portaram como ‘vítimas’ da geografia e, devido a esta, se destacaram desde cedo na produção de legumes, manteiga, trigo e carne bovina através do investimento na produtividade, especialização e intensificação da agropecuária.

Este grande movimento econômico no campo permitiu um intenso contato com a cidade, assim, a região se urbanizou e começou a produzir artigos para exportação: linho, cânhamo, colza, lúpulo, tabaco, plantas para o tingimento e cereais. Também fabricavam queijos e manufaturavam produtos fabricados em outros locais: os tecidos de lã na Inglaterra eram tingidos com a cultura do linho.

Mapa do século XVII da cidade de Antuérpia

O comércio do trigo impulsionou Amsterdã (capital da província da Holanda) a se tornar o principal centro distribuidor de grãos vindos do Mar Báltico(situa-se no nordeste da Europa, circundado pela península escandinava, o continente da Europa de leste e central, e as ilhas dinamarquesas) e as relações comerciais com a Península Ibérica (que recebia o trigo cultivado pelos neerlandeses) permitiu o acesso dos Países Baixos à prata do México e Peru e ao sal de Setúbal (PO) garantindo, assim, a indústria do arenque (salgavam e defumavam o peixe para depois comercializá-lo) e a fabricação de queijos. Os lucros destas ligações comerciais permitiram a extensão da atividade holandesa para o transporte marítimo (frete) e garantiram a supremacia holandesa no Mar Báltico. Assim, passaram a dominar as rotas comerciais que antigamente eram de controle da Liga Hanseática(aliança de cidades mercantis que estabeleceu e manteve um monopólio comercial sobre quase todo norte da Europa e Báltico, em fins da Idade Média e começo da Idade Moderna), composta por ibéricos e venezianos.

A indústria do pescado permitiu a montagem de um grande empreendimento composto de 1. 500 barcos de pesca, 12.000 pescadores e 300. 000 toneladas de peixes. A marinha mercante da Holanda, Zelândia e Flandres somavam 800.000 barcos tripulados por 30.000 marinheiros, o dobro da marinha inglesa no mesmo período.

Até hoje, a indústria de pescado têm importância para os neerlandeses

A indústria naval e seu desenvolvimento foram muito importantes para o crescimento neerlandês e, Amsterdã foi um grande núcleo de construção naval na Europa. Os navios fabricados na Holanda eram mais baratos por que usavam de tecnologia avançada,como serras mecânicas, máquinas para erguer os mastros, peças intercambiáveis e o controle do comércio de madeira, alcatrão, resina, cordas, mastros vindos do Báltico, o que também facilitou/barateou o processo de aquisição de materiais para os navios. Assim, Amsterdã controlou rapidamente o serviço de fretes da Europa, penetrando até o Mar Mediterrâneo. Esta tecnologia naval permitiu, em 1570, a criação de um novo navio, a Vlieboot Flûte, que carregava mais mercadorias com menos tripulantes, tornando a viagem mais barata.

Desenho da Vlieboot flûte

Outro ponto a ser destacado é que a indústria de armamentos da Europa também se localizava em Amsterdã. O capital neerlandês possibilitou a construções de fornos na Suécia que forneciam quantidade de ferro suficiente para atender as demandas de peças de artilharia.

Armas do século XVII

Ao chegar, ao século XVII, os Países Baixos eram o centro financeiro da Europa, mas, estava esfacelado pelas guerras de religião: católicos X protestantes, de tal modo que os neerlandeses utilizaram todo o seu aparato naval e bélico para lutar contra o catolicismo de Filipe II, rei de Espanha. Mas, isso já outra História…