História e memória

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Prof. Marcos Antônio Leite Lopes Filho
Licenciatura em História - Autarquia Educacional de Belo Jardim (AEB)
Especialista em ensino da História e Novas Tecnologia - Autarquia Educacional de Belo Jardim (AEB)

O que é memória? Como a história se relaciona com a memória? Quais os aspectos e suas ligações e como sucede esta interação? Quando tomamos consciência, vemos que realmente, no cotidiano, temos por base a iniciativa de buscarmos constantemente lembranças, quando questionadas ou tomadas por outras formas. Desde os primórdios, o homem buscava a cada momento dominar a memória, procurando atalhos, fazendo com que a memória, quando fosse solicitada, estivesse em ordem de uma maneira simples para a procura de alguma eventual lembrança pertinente. Com o decorrer dos séculos, muitos mecanismos foram usados para tornar a busca de alguma lembrança, ou fixar acontecimentos, mais simples e precisa, com auxilio de muitos objetos.

Mas, para que serve a memória? A memória serve como base para guardar informações que futuramente possamos precisar. Com ela, podemos projetar nosso futuro de acordo com nossas características, de acordo com o EU. Sim O EU, que é a consciência superficial e profunda do que somos (algo muito subjetivo), pois quando pensamos e reunimos lembranças do passado, estas nos servem de base para projeções futuras. É na memória que encontramos experiências, pertinentes em nossa vida. Elas são armazenadas para que futuramente possamos recorrer a elas como suporte para resolver algo, ou apenas para lembrar onde deixamos uma bolsa, um livro ou algo que nos seja importante. Mas, como a lembrança se relaciona com a memória? A lembrança é um mecanismo usado para trazer situações vividas a partir de estímulos externos, evocando o passado, fazendo com que nossas experiências, quer seja em grupo ou individualmente, não caiam no esquecimento.

A memória é instigada de várias formas, desde uma simples conversa a um questionário na escola. O que de fato vale salientar é a importância da memória em nossos dias. Hoje em dia, parece ser bem simples e a usamos com tanta frequência que nem chegamos a perceber que dependemos dela diariamente para viver. Existiram muitos métodos para se guardar a memória, pois tudo que se passava podia cair no esquecimento, e com estas preocupações chegaram vários artifícios e mecanismo para auxiliar o passado tornando-o mais presente à medida que procurássemos com mais facilidade. Com o passar dos séculos, a memória encontrou muitos aliados.

Fotografia: Fenômeno que guarda o tempo na memória e cristaliza o momento tendogrande impacto visual, uma dos mecanismos aliados à memória.

Foram classificados três diferentes tipos de memória:

Memória especifica: Para definir e fixar comportamentos de espécie de animais; Memória Étnica: Que assegura a reprodução de comportamentos nas sociedades humanas e Memória Artificial: usada eletronicamente, sem recursos ao instinto ou reflexão, questionada pelos conservadores, tendo como grande exemplo: computadores e HD externos.

Objetos biográficos

Na casa de cada um de nós existe um objeto ligado diretamente à nossa memória. Nós o utilizamos como atalho para lembranças, às vezes adormecidas, que estão deixadas de lado. Estes objetos são chamados de objetos biográficos, isso mesmo, estes objetos convivem conosco e estamos rodeados deles diariamente, eles nos acompanham na longajornada da vida, carregados de um valor emocional, e sentimos que os tais objetos fazem parte de nós mesmos, um fragmento de uma etapa da vida, de uma fase boa ou ruim, enfim, os objetos biográficos alimentam nossa memória, embevecem nossas lembranças. Estes objetos também envelhecem, existindo um vínculo afetivo com o possuidor. Um exemplo a respeito de objetos que nos remetem a lembrança é a fotografia, ou mesmo objetos usuais, como um relógio que ganhamos de alguém muito especial em uma data marcante, este objeto é comtemplado de maneira intima, rememorando, passeando pelas lembranças, procurando vestígios do passado e associando o momento em que a imagem foi cristalizada, este objeto biográfico tem o poder de penetrar e trazer o que poderia se tonar esquecido.

Objeto biográfico: Usados por muitos, este objetos nos remetem a lembranças a cada momento que o consultamos, todo objeto tem um valor emocional ligado ao possuidor seja ele agradável ou desagradável.

Memória Coletiva

No dia-a-dia nos comunicamos constantemente e certas vezes usamos a Memória coletiva. Na verdade, como ocorre este processo? Dentro do nosso cotidiano, sem percebemos, utilizamos memórias coletivas e individuais. Passamos por experiências dentro de grupos, nestes grupos cada individuo tem experiências vividas, mas, de acordo com sua personalidade e o modo como se socializa, cada um as vê de forma diferente, de acordo com sua perspectiva. As experiências individuais cercam o indivíduo, trazendo novas reflexões do passado. A memória é uma peça importante no nosso cotidiano, uma peça importante e bastante complexa. Apesar da importância pouco se sabe e se discute a respeito da memória e suas especificações. A memória se relaciona com a História dependendo de como ela é usada. A partir disto, se constrói algo que nenhuma máquina consegue de uma maneira tão subjetiva.

É comum existirem celebrações de dias festivos, relacionados a momentos considerados importantes. De certa forma, não vemos nada demais nisso, as celebrações parecem monótonas e sem intenção alguma, mas tal celebração é vinculada, por fim, a uma lembrança coletiva, e na maioria dos casos estas celebrações existem por conta de fatos históricos, algo que se passou e vamos comemorar a cada ano naquele dia em que se concretizou tal situação.

Estas comemorações existem desde muito tempo. Porém, do final do século XVII até o fim do século XVIII, na Europa, podemos ver, de certa forma, um declínio relativo a uma das modalidades de rememoração e lembrança coletiva: a comemoração dos mortos. Os túmulos, incluindo dos reis, são abandonados, os cemitérios tornam-se desérticos e muitos atribuem este esquecimento ao protestantismo.

Mas, à medida que seguia a Revolução Francesa, houve um retorno à memória dos mortos nos países europeus, com monumentos, inscrições funerárias e rito da visita ao cemitério, tendo algumas transformações, adaptações e inovações. Com certo tempo, foi atribuída grande importância ao calendário, onde se constituía uma rememoração em datas comemorativas.

Como havia comentando há algumas linhas atrás, a comemoração no século XIX apropria-se de novos instrumentos que são usados como suporte: medalhas, moedas e selos de correios que se multiplicam.

A partir do Século XX, surgiu um fenômeno que revolucionou a memória coletiva: o mesmo se deu após a Primeira Guerra mundial, com a construção de monumentos aos mortos em batalha; a comemoração funerária encontra assim, um novo desenvolvimento, e em alguns países foi desenvolvida a prática de construção de túmulos de soldados desconhecidos, onde são ultrapassados os limites da memória.

A história usa a memória como apoio para fixar e cristalizar situações históricas. Ela é um elemento que podemos dizer que é essencial à história, alimentando-a e fazendo com que o passado sirva ao presente e ao futuro, construindo novos horizontes que podem ser contemplados.