Gonçalo do Amarante: o beato “santo” que dança

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Prof.ª Joyce Oliveira Pereira
Licenciatura plena em História - UFMA
Mestre em História, Ensino e Narrativas - UEMA

Gonçalo do Amarante é um beato português (considerado santo pelos devotos) que viveu por volta do século XIII e, desde cedo teve inclinação sacerdotal, já que sua família sempre foi muito religiosa. Exerceu o sacerdócio e, posteriormente optou por ser eremita, mas, sem deixar de realizar atividades sacrais pelas cidades que passava. Ao retornar à sua paróquia de origem ficou abalado com a situação em que ela se encontrava e, por isso resolveu construir uma capela dedicada a Nossa Senhora, num lugar solitário, junto ao rio Tâmega, local onde hoje se encontra a cidade de Amarante.

Ele é caracterizado como um sujeito muito alegre, tocador de viola e que muitas vezes promovia festas em ambientes familiares como usava esse meio para evangelizar mulheres ‘perdidas’, pois, ao dançarem e ouvirem o evangelho ficariam cansadas e não pecariam. Um fato curioso, é que Frei Gonçalo teria colocado pregos em seus sapatos como forma de penitência, por isso, ele dançaria torto.

Após a sua a morte por volta de 1259 não levou ao fim de dança, ao contrário, ela ficou sendo realizada pelos fieis em sua homenagem no dia 10 de janeiro, que foi o dia de sua morte. Foi santificado por volta da segunda metade do século XVI pelo papa Julio II. Com o passar do tempo, a dança começou a ser realizadas fora das Igrejas, por mulheres que queriam casar, por isso em Portugal é conhecido como santo casamenteiro.

No Brasil essa devoção chegou por volta do século XVII com fieis do santo, aqui sendo conhecido também por santo casamenteiro, protetor de doenças, de chuvas com trovões entre outras. A dança começou a ser realizada por volta do século XVIII e, não há dia certo para acontecer. Antigamente eram realizadas romarias, mas, atualmente se faz a dança em forma de pagamento de promessa a uma graça alcançada.

O santo pode ser representado da forma que a Igreja Católica o concebe, mas, geralmente nas rodas ele é apresentado com a viola na mão. A coreografia da dança é bastante diversifica mudando de região para região. A dança é característica do ambiente rural, sendo realizada por pessoas mais humildes e, se realizada na cidade é em zonas periféricas.

No interior do Maranhão, na região do médio sertão a roda de São Gonçalo é associada à chuva, sendo muito comum o “roubo” do santo em período de secas para que se possa chover na região.

PESQUISA: Ana Paula Dias Carvalho
TEXTO: Joyce Oliveira Pereira