Você sabia que.. Múmias e pirâmides estão ligadas à ideia de morte e vida, no Egito Antigo?

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Prof. Lucas Adriel S. de Almeida
Licenciado e Mestre em História - UEFS

Certamente você já assistiu a algum filme ou desenho sobre múmias. Enroladas em faixas de algum tipo de pano, andando de forma desengonçada – a perseguir alguém que se atreveu a perturbar o seu sono milenar –, elas são, também, as preferidas nas festas à fantasia. Quando se fala em múmias, quase sempre se fala, também, das pirâmides que encantam a muitos por seu visual enigmático. Estas majestosas construções são alvo da curiosidade de uma gama inestimável de pessoas, sendo um elemento sempre presente nas tramas cinematográficas e/ou televisivas. Lugar onde repousam os sarcófagos, as pirâmides também são lembradas por seus tesouros escondidos, pelas armadilhas internas e pelas diversas lendas que as rodeiam. Mas, o que seriam de fato as múmias? Com quais objetivos a civilização egípcia se especificou no processo de mumificar corpos? E por que construíam pirâmides?

(Chapolin Colorado –  Disponível no YouTube)

O processo de mumificar corpos foi algo bastante difundido no Egito Antigo, mas este privilégio acabou por ser mais utilizado pelos Faraós e pelas elites do Egito Antigo. O procedimento tem como fundamento os elementos religiosos que caracterizam a civilização do Egito Antigo, segundo a qual se retornaria à vida e o corpo deveria estar preservado para que isso fosse possível. Em resumo, este processo se relaciona com a crença na vida após a morte.  As pirâmides, e tudo o que as cercam, como os tesouros e as armadilhas, seriam então o lugar mais  adequado para que o corpo do mumificado esperasse o seu retorno, ao lado de seus bens e tesouros, o que despertou o interesse na pilhagem destas estruturas – a famosa “caça ao tesouro”. Logicamente por seu sentido religioso, estas pirâmides foram recheadas também por diversos elementos de extremo valor simbólico para os habitantes do Egito Antigo, como os escaravelhos, que tinham a função de impedir que o coração se separasse do corpo.

(Fonte: http://www.fascinioegito.sh06.com/fatos2.htm)

Os corpos deveriam ser mumificados, para que fossem preservados a fim de que os espíritos, quando retornassem, pudessem encontrar seus corpos. Por ser um processo custoso, a grandemassa da população egípcia não teve a sorte de um ritual tão completo, sendo esta regalia limitada por questões de ordem social.  Além dos avanços com relação ao funcionamento do corpo humano, o processo de mumificação desenvolveu circunstancialmente a engenharia no Egito Antigo, haja vista a grandiosidade e a vultuosidade das pirâmides, onde seriam guardados os corpos mumificados dos faraós.  Assim sendo, os que podiam “desfrutar” destes rituais sagrados, após terem seus corpos mumificados, eram sepultados em pirâmides ao lado de tudo o que precisaria para enfrentar este processo e de toda a sua riqueza, para que pudessem regressar em outras vidas, logicamente, afortunados.

(Imagem: http://noticias.uol.com.br)

Assim sendo, percebemos que a compreensão das sociedades antigas quebra, em nossas mentes, uma série de tabus, nos propondo um enorme respeito às diversas leituras possíveis para o mundo ao nosso redor. A sociedade do Egito Antigo, com base em suas crenças religiosas, deu magníficas contribuições no campo da medicina, da matemática e da engenharia.  Permitem-nos perceber como, desde a Antiguidade, os seres humanos buscam se relacionar com o meio em que vivem e enfrentar as adversidades, buscando por horas viver de forma harmoniosa com a natureza, por outras vezes agredindo-a de forma irreparável. Compreender os mais diferentes sistemas políticos, econômicos, sociais e culturais, não significa apenas enriquecer o nosso cabedal cultural, significa acima de tudo compreender as influências que nos levaram a ser quem somos hoje, seguindo antigos sistemas ou nos opondo a eles.