Você sabia… Que o Flamengo pediu a renúncia do presidente Getúlio Vargas?

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Prof. Pablo Michel Magalhães
Licenciatura em História - UPE
Especialização em Docência da Filosofia - UCAM
Mestrado em História - UEFS

Sim, é o Clube de Regatas do Flamengo, aquele mesmo, campeão mundial, com Zico, Júnior e companhia limitada, e hexacampeão brasileiro (ou Pentacampeão, vai depender se você é flamenguista ou torcedor do Sport Clube Recife). Mas, o que queria o time da Gávea ao pedir, por meio de moção (espécie de proposta para resolver algum problema, devidamente oficializada), a renúncia de Vargas, em 1954?

Getúlio, eleito pelo voto popular, exercia seu mandato constitucional, anos após o seu Estado Novo, entre 1937 e 1945, período em que governou o país como ditador, ao modelo fascista europeu (Alemanha e Itália). No entanto, opositores já se articulavam contra Vargas, desejosos de vê-lo fora do poder. Dentre eles, o principal articulista era o jornalista Carlos Lacerda.

Jornalista Carlos Lacerda

Mantendo contato com militares e mobilizando seus principais representantes, em agosto de 1954, Lacerda dirigiu-se ao general Canrobert Pereira da Costa, buscando convencê-lo a tomar partido contra o presidente. Muito contrariado, o general não quis colaborar, alegando não querer por tanque na rua para depois ser chamado de fascista (como em 1945, quando Vargas havia sido deposto pela primeira vez).

Desta vez, o general afirmou que só seria convencido com moções de todas as partes, todo mundo pedindo, inclusive o Clube de Regatas do Flamengo! Lacerda, muito atento, concordou com todas as exigências.

No mesmo ano, além da Marinha e do Exército, Lacerda encaminhou ao general Canrobert a moção assinada pelo Clube de Regatas do Flamengo, solicitando que Vargas renunciasse à presidência!

General Canrobert

Se o pedido do Flamengo mexeu com os brios do general, não se sabe, mas Getúlio não deu tempo para os aspirantes a golpistas planejarem o ataque: o presidente suicidou-se, com um tiro no coração, no Palácio do Catete, em seu quarto, na cidade do Rio de Janeiro.

SAIBA MAIS:

Confira o livro de Sebastião Nery, Folclore Político.

Além dele, a edição da RHBN traz um recorte sobre esse caso, na edição 83, Ano 7.