Proposta didática – A mídia, a informação e o ensino de História.

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Prof. Lucas Adriel S. de Almeida
Mestre em História - UEFS

Introdução

O volume de “informações” que é disponibilizado pela mídia a todos nós, atualmente, é gigantesco. São notícias e mais notícias sobre acontecimentos cotidianos, fatos históricos, ambientes políticos, planos econômicos, os mais variados temas. Logicamente, estas questões são se restringem aos formatos de telejornais, mas estendem-se por novelas, filmes, séries, programas de entrevistas e outros mais. Esta questão é vista por muitos como um problema. O excessivo lugar ocupado pela mídia na vida da juventude brasileira é apontado, por estes, como uma das causas do desinteresse apresentado por nossos alunos no ambiente escolar.

Acreditamos que esta questão tenha, sim, sua parcela de contribuição, mas não queremos entrar no mérito desta discussão. Nossa proposta, aqui, vai em sentido oposto. Consiste em sugerir a utilização da informação midiática como ferramenta didática nas aulas de história. À critério de exemplo, buscaremos apontar as possibilidades de alguns temas e conteúdos, mas a metodologia pode ser aplicada a outras oportunidades.

Algumas considerações e propostas

Os números expressivos da produção agrícola brasileira nos surpreendem a cada dia que passa; o Brasil ocupa, de forma cada vez mais incisiva, uma posição de destaque entre os países exportadores de produtos agrícolas. A temática em questão é noticiada corriqueiramente na imprensa nacional. Reportagens sobre este assunto acabam por fazer parte da vida de muitos dos nossos alunos que, de alguma forma, acabam tendo contato com este tipo de informação. Claro que as formas de contato com ela são muito variadas. Entretanto, acreditamos que, sobre a produção agrícola e a posição do nosso país como grande exportador de gêneros alimentícios, muito já se “ouviu falar”.

Neste contexto, percebemos nosso aluno inserido num mundo cheio de informações jogadas de forma aleatória, e destacamos a importância do professor. A ideia é usar este contato com a mídia para despertar as motivações necessárias para uma diferente aula de história. Orientados pelo que é trabalhado por Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky, que ao discutir sobre estas questões apontam que “confundir informação com conhecimento tem sido um dos grandes problemas da nossa educação… Exatamente porque a informação chega aos borbotões, por todos os sentidos, é que se torna mais importante o papel do bom professor”. Portanto, a presença da mídia pode não ser um problema e sim como um caminho. Vejamos as possibilidades.

A proposta

A ideia central é abordar os conteúdos de história que se relacionem com um tema recorrente na mídia. No nosso caso, “o destaque do Brasil no mercado internacional, como um grande exportador de produtos agrícolas”. O ideal é que, após breve introdução sobre o tema, abra-se espaço para que os alunos exponham suas contribuições, relatando em sala de aula as informações que adquiriram com as mais variadas reportagens que tiveram acesso sobre o tema. A socialização destas reportagens é ponto central desta proposta didática, pois é de extrema importância que o professor também perceba as diferentes leituras que cada um faz do assunto, entendendo assim a individualidade de cada aluno.

O segundo ponto da proposta consiste em inserir um conteúdo – ou mesmo uma série de conteúdos de História – para que o aluno comece a analisar tais informações, balizado pelo conhecimento histórico. Para o tema que lançamos, sugerimos trabalhar com a colonização portuguesa na América, trabalhando com assuntos que vão desde as capitanias hereditárias até questões relativas ao modelo produtivo agrícola, com base não só nos latifúndios, mas também no trabalho escravo e na monocultura de exportação.

As discussões sobre diversas reportagens devem sempre emergir, dialogando com os conteúdos de história, visto que a compreensão sobre o conteúdo deve relacionar-se com as questões do presente. Em outras palavras, é importante destacar que a relevância em se estudar um determinado conteúdo está em ele responder aos problemas que nos são postos no presente. Deste modo, a constante relação entre o conteúdo de história e as diversas reportagens trazidas à sala de aula pelos alunos são elemento metodológico fundamental para o sucesso desta proposta.

Algumas relações possíveis.

Por fim, mas não menos importante, outros temas e conteúdos podem ser inseridos (neste caso, a sensibilidade do professor, que já conheceu a individualidade dos alunos, é o parâmetro ideal para medir o volume de conteúdos possíveis para cada realidade). Utilizando o nosso tema como exemplo, poderíamos trabalhar com questões relativas ao MST, destacando historicamente as questões da propriedade da terra no Brasil; Funções de projetos políticos, como os de Reforma Agrária, e suas relações com a agricultura familiar e o agronegócio, dentre tantos outros. Esta proposta abre uma gama de possibilidades para que trabalhemos com outras disciplinas, como Língua Portuguesa, Redação, Sociologia, Filosofia, Geografia e a interlocução com o mundo midiático.

A avaliação: o que avaliar?

A proposta avaliativa propõe a utilização de materiais visuais como charges, tirinhas, fotografias e outros que versem sobre o tema. As questões podem ser subjetivas, onde o professor queira analisar a leitura do aluno de forma discursiva e processual por meio de um texto escrito ou por meio da exposição oral, ou mais objetivas, utilizando questões de vestibular – já que muitas delas hoje utilizam estes recursos para compor suas questões – pensando numa perspectiva de avaliação mais prática. A principal questão a ser avaliada remete a percepção do aluno sobre problemas sociais e sua capacidade de analisá-los, balizado pelos conteúdos históricos, sendo capaz de construir uma argumentação sólida para sustentar sua posição diante da situação problema que lhe foi proposta.

Bom, buscamos elencar aqui alguns caminhos que, mais do que propostas fechadas, visam ser noções possíveis de serem adaptas pelo(a) docente a cada realidade. Escolas das zonas rurais, por exemplo, podem utilizar a experiência cotidiana dos discentes e suas famílias com sindicatos ou movimentos sociais para alavancar ainda mais as discussões. Enfim, as variantes são inúmeras. Sucesso!!!