Construtivismo e os Paradigmas Educacionais

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Prof. Marcos Antônio Leite Lopes Filho
Licenciado em História - Autarquia Educacional de Belo Jardim (AEB)
Pós-graduado em ensino da História e Novas Tecnologias (AEB) 

O que significa construtivismo? Como funciona essa teoria? É bastante complexo especificar em poucas palavras sua criação, transição e importância. Podemos afirmar que os paradigmas educacionais e o construtivismo são bastante densos.

Mas, qual seria a ideia do construtivismo? Segundo Professor Doutor Fernando Beckera ideia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.

O surgimento desta teoria sucedeu após o biólogo Jean Piaget estudar o comportamento das crianças, desde o nascimento até a adolescência. Ele percebeu como o individuo interage com o meio que ele vive e como se constrói o conhecimento a partir dessa interação. Com esses estudos, Piaget deu continuidade estudando o cotidiano e as reações dos indivíduos na medida em que cresciam.

Segundo princípios construtivistas em âmbito educacional, o aluno deve participar ativamente no próprio aprendizado, interagindo em pesquisas e diversos outros procedimentos. A partir da interação com o meio, ele vai estabelecer características diferenciadas do mundo. A partir dessa interação, o aluno amadurece e passa a lidar com diversas questões, começando a agir com a realidade de um modo mais complexo, diferentemente do que ele poderia fazer com seus reflexos iniciais. O erro torna-se aprendizado, a rigidez e avaliações padronizadas e a má escolha dos livros didáticos de acordo com a realidade do aluno não são aceitos pelo construtivismo.

Com essas ideias, o construtivismo ganhou espaço em vários países e estes se adequaram a essa teoria educacional ao passar dos anos.  Falar sobre construtivismo é um pouco complicado, existem opiniões diversas entre pedagogos, tratando o construtivismo como algo negativo ou positivo. De certa forma, houve resistência por parte de muitos, onde não era aceita uma prática tão diferente da tradicional, apontavam muitas falhas e faziam do construtivismo uma teoria fadada ao fracasso. Hoje em dia, muitos ainda questionam e culpam muitas escolas que o usam como teoria educacional.

O maior problema é que muitos associam o construtivismo como algo messiânico, onde a partir de sua implantação os frutos seriam colhidos posteriormente em pouco tempo. Temos como exemplo o Brasil, problemático na educação, deficiente em vários aspectos; muitos tratam o problema educacional com alguns fatos isolados, associando teorias pedagógicas ao fracasso do sistema escolar, generalizando e muitas vezes sendo tendencioso. Podemos nos perguntar, quais são os problemas que são enfrentados na educação brasileira? A resposta não seria tão simples. Dentro da complexidade do sistema educacional brasileiro, fica difícil analisar superficialmente e destacar apenas um ponto que se torna negativo aos olhos de muitos. Acontece que existem várias analises e muitos pontos a serem debatidos e refletidos a respeito da educação brasileira, tais como: analfabetismo, ensino básico, evasão, livro didático, entre outros. Dentro desses pressupostos, uma serie de lacunas existem e o papel do Estado seria analisar, e, por assim dizer, “sanar” essas irregularidades, trazendo à população ganhos significativos dentro do sistema educacional resultando em boas práticas sociais.

Além das deficiências educacionais gritantes, outro problema gira em torno das desigualdades na distribuição de renda, outra ponta do Iceberg. De fato, existe uma relação entre os dois, pois não existe equilíbrio num país com aumento na distribuição de renda e pessoas sem instrução, nem existe um ganho na escolaridade com famílias a beira da miséria. Devemos rejeitar essas políticas educacionais, que tratam como solução dos problemas a simples implantação de novas escolas, tratando a educação de uma forma tão superficial, sem  recapitular as práticas educacionais muitas vezes simplistas e refleti-las.

Muitas políticas educacionais não relacionam em sua proposta os problemas de caráter econômico, social, político e cultural. Estas políticas, a partir do momento que são criadas sem estas considerações, tornam-se ineficientes, pois para a construção de um sistema educacional de boa qualidade, devem-se aceitar as dificuldades vigentes; do contrário, tornam-se meramente utópicas.

A partir destas considerações, notamos como são complexos os problemas educacionais brasileiros; alguns destes, aqui citados, influenciam de forma direta o crescimento educacional, e podemos observar como o assunto é tão amplo e como instituições sociais podem interferir em seu crescimento.

Toda essa reflexão, tecida aqui em algumas linhas, não passa de uma pequena parcela da questão educacional a ser discutida. Devemos cobrar melhorias e fundamentar nossas argumentações, deixando de generalizar e opinar sem ao menos conhecer. Cabe a todos uma preocupação a mais com a educação e um esforço a mais para tratar todos os pontos de forma adequada, afinal, o problema seria por conta de alguma teoria educacional? Ou o sistema educacional precisa ser reformulado? São pontos a serem discutidos.