Integralismo – o fascismo à brasileira

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Prof. Cleber Roberto Silva de Carvalho
Licenciatura plena em História - UPE
Especialização em História do Brasil - Faculdade Montenegro

Numa época que vemos a crescente “onda nacionalista” em vários países, devemos recordar que na década de 1930, surgiu, no Brasil, um movimento de linha nacionalista. Era o movimento Integralista. 
A Ação Integralista Brasileira (AIB), fundada, em 1932, por Plínio Salgado, foi um movimento político criado com inspiração no movimento integralista português. 

O integralismo brasileiro defendia a propriedade privada, o nacionalismo nas várias áreas sociais, o moralismo, o princípio da hierarquia social, o combate ao movimento comunista e ao liberalismo econômico. E assim como em Portugal, no Brasil o integralismo sofreu influência do fascismo italiano, com muitos membros se aproximando antissemitismo, como Gustavo Barroso, um dos líderes integralista.

Plínio Salgado sistematizou a teoria do Estado Integral, e criou uma série de símbolos e costumes para o movimento integralista, como a introdução do Sigma, ∑, em seu brasão e cumprimento “Anauê”, que, presumidamente, em tupi, significaria “você é meu irmão”, além de lançar o Manifesto de Outubro de 1932. 
Em 1937 a AIB lançou o Manifesto Programa de 1937, um dos documentos mais importantes do partido. O mesmo ano foi marcado pelo Golpe de 1937, e instauração do Estado Novo. 

O Golpe de 1937 ocorreu após denúncia de que os comunistas planejavam tomar o poder. Esta denuncia serviu para Getúlio Vargas colocar o país em estado de alerta. O suposto plano comunista recebeu o nome de Plano Cohen. Posteriormente Getúlio Vargas foi acusado de forjar este documento, que foi escrito pelo capitão integralista Olímpio Mourão Filho.

Com Vargas no poder, os integralistas já planejavam sua participação no governo, contudo, o presidente, surpreendendo os integralistas, determinou a dissolução de todas as agremiações políticas do país, incluindo a Ação integralista Brasileira, no dia 10 de novembro de 1937. 

Em decorrência da dissolução da AIB, após a instauração do Estado Novo, membros do movimento rebelaram-se e tentaram dar um golpe à ditadura de Vargas.

Em 1938 dois levantes integralistas foram realizados. O primeiro aconteceu em 11 de março de 1938, sendo uma tentativa de tomada do 3º e 5º Batalhões Infantaria no Rio de Janeiro. Graças à ação da Polícia Militar do Distrito Federal, que trabalhou em conjunto com os serviços de Inteligência do Exército e Marinha a rebelião foi debelada e os principais líderes foram presos.

O segundo levante, de maior relevância, foi realizado em 11 de maio de 1938. Liderados por Severo Fournier, um grupo de 80 militares integralistas tentaram tomar o Palácio Guanabara e depor Getúlio Vargas. Os integralistas, chegaram próximo de obter sucesso no ataque, mas graças a chegada de forças do Exército e da Polícia Especial o levante foi debelado. 

Em resposta ao levante, o movimento integralista sofreu intensa perseguição do Governo Vargas.

Plínio Salgado, após ser preso e liberado duas vezes, se exilou em Portugal. Com o fim do Governo Vargas, muitos integralistas se reorganizaram no Partido de Representação Popular, o PRP, presidido por Plínio Salgado, que participou de todas as eleições no período da Constituinte de 1945 até a edição do AI-2, em 1966.

Com o fim do PRP, parte do seus membros participaram do ARENA, inclusive Plinio, que foi parlamentar do ARENA pelo estado de São Paulo.

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