Movimento feminista: histórico da luta das mulheres

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Prof. Pablo Michel Magalhães
Licenciado em História - UPE
Especialista em Docência da Filosofia - UCAM
Mestre em História - UEFS

A história da luta das mulheres e do feminismo remonta há mais de dois séculos. Convenciona-se considerar como marco da historiografia feminista a luta organizada das mulheres por igualdade de direitos e deveres durante a Revolução Francesa, movimento que, em fins do século XVIII, abalou as estruturas políticas, sociais e ideológicas do mundo.

Mas, se pensarmos na história do feminismo em um sentido mais amplo, considerando também os momentos em que mulheres, individual ou coletivamente, protestaram contra as diversas formas de dominação patriarcal e reivindicaram para si condições de vida melhores, essa história e os fatos que a marcam são muito mais diversos.

A partir das mudanças trazidas pela Revolução Francesa as mulheres começaram a tomar consciência das desigualdades a que eram submetidas e, pouco a pouco, passaram a questionar os modelos sociais e lutar para diminuir a desigualdade política e de direitos. Esse período ficou conhecido como a primeira onda do feminismo.

Neste mesmo período surgiu o movimento sufragista, formado principalmente por mulheres inglesas para garantir o direito da participação feminina nas eleições. Emmeline Pankhurst foi um dos grandes nomes do movimento sufragista, assim como a escritora Mary Wollstonecraft, que também defendeu em seus livros o direito de voto das mulheres. O movimento ganhou muita força no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Foi neste período que as mulheres começaram a questionar o papel que era imposto a elas pela sociedade, principalmente em relação à responsabilidade pela casa e pela família como sua única função.

Segunda Onda Feminista, já marcada pela conquista anterior de direitos, tem seu início no começo da década de 1960. As feministas ganharam espaço mais uma vez e conseguiram ser ouvidas pela sociedade. Esse segundo movimento durou até a década de 1980 e recebeu o slogan “O pessoal é político”, que foi criado pela feminista Carol Hanisch. A nova fase identificava o problema da desigualdade como a união de problemas culturais e políticos, encorajando as mulheres a serem politizadas e combaterem as estruturas sexistas de poder.

Especificamente em 1964, apareceu a frase “Liberação das Mulheres”, usada pela primeira vez nos Estados Unidos e que acabou se tornando fundamental para todo movimento feminista. Após a Primeira Onda Feminista criticar os contratos matrimoniais que não incluíam os interesses e sentimentos das mulheres, a Segunda Onda Feminista passou a criticar a ideia de que as mulheres teriam satisfação em apenas cuidar dos filhos e do lar. Esta nova observação incendiou o cenário social, especialmente nos Estados Unidos, que foi invadido por mulheres que queriam trabalhar, sustentarem-se e serem respeitada com igualdade de capacidade.

Já a Terceira Onda Feminista se apresentou como meio para corrigir as falhas e as lacunas deixadas pela fase do movimento que veio antes. Esse novo momento, marcado a partir do início da década de 1990, serviu também para retaliar algumas iniciativas da Segunda Onda Feminista. A terceira fase procurou contestar as definições essencialistas da feminilidade que se apoiavam especialmente nas experiências vividas por mulheres brancas integrantes de uma classe média-alta da sociedade.

O próprio questionamento do padrão branco de classe média-alta das feministas fez com que mulheres negras começassem a se destacar no movimento e negociar seus espaços para revelar as diferenças vividas por mulheres com diferentes condições sociais e étnicas. As lutas e pautas das mulheres negras eram outras, e nisso a crítica ao feminismo branco deixa bem claro.

Falar sobre feminismo é falar sobre “feminismos”, uma vez que o movimento possui várias vertentes e realidades peculiares. O feminismo negro, por exemplo, é uma dessas vertentes, e está centrado na luta por direitos das mulheres negras, que ocupam de modo singular um espaço ainda mais recheado de preconceitos e discriminação. Sobre o assunto, sugiro a leitura do livro “Quem tem medo do feminismo negro?”, da filósofa Djamila Ribeiro.

Ao longo de décadas e séculos, o movimento feminista em suas fases buscou lutar pelo espaço e respeito da mulher dentro de uma sociedade patriarcal, machista e sexista. Essa luta rendeu frutos, mas a batalha continua, sempre.