O que é existir?

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Prof. Pablo Michel Magalhães
Licenciatura plena em História - UPE
Especialista em Docência da Filosofia - UCAM
Mestre em História - UEFS

Parece pergunta sem sentido. Existir é existir, simples assim. Ou não. As filosofias clássica e moderna encontraram nesse tema um ponto importante de reflexão e problematização ao longo de séculos.

Para Aristóteles, a essência define a existência, e ela diferencia os seres viventes. Agimos de acordo com essa essência humana, que nos coloca em outro patamar dentro da natureza existente. Essa essência permite-nos, por exemplo, buscar as virtudes.

René Descartes, racionalista da era moderna, chegou a afirmar que “penso, logo, existo”. Ou seja: se penso e tenho a consciência desse pensamento, logo, sou um ser vivente. Descartes faz parte de uma corrente filosófica conhecida como racionalismo na Era Moderna.

Sartre no século xx dizia que a existência vem primeiro, a essência depois. É porque existimos, fazemos escolhas e arcamos com as consequências que existimos. Esse filósofo, conhecido membro do existencialismo, enxerga o indivíduo como aquele que faz as escolhas. Mesmo quando não escolhe, esse indivíduo “escolheu” não escolher.

Em tempos de compartilhamento, a condição de existir está ligada a uma coisa: postar. Se você não posta, não mantém um perfil ativo, e faz um selfie, você não existe. Um autor que se debruçou sobre esse tema foi o polonês Zygmunt Bauman (1925 – 2017). Em seu livro Vida para Consumo, o sociólogo observa que, na sociedade contemporânea, o ser humano é aquilo que ele pode oferecer ao mercado. Assim, o segredo mais bem guardado da sociedade de consumidores é o fato de que o indivíduo, para ser bem sucedido e alcançar aquilo que almeja, antes deve se tornar uma mercadoria altamente consumível. Consumir e ser consumido, logo, existo, é a nova máxima.

Triste isso? Não podemos afirmar. Primeiro, olhe sua timeline aqui. Quantas vezes você existiu sem postar? A resposta, em sua grande maioria, vai girar em torno dessa problemática. As fotos postadas são tentativas, ainda que inconscientes, de um indivíduo vender-se enquanto produto. O pagamento? São os likes, comentários e compartilhamentos, o aumento no número de seguidores. Em suma, a ideia de que você, antes indivíduo comum, agora é relevante de algum modo. Esse fenômeno é o que alimenta, por exemplo, os digital influencers, jovens que tornaram-se relevantes dentro do contexto da mercadorização do eu.