A Quarta Cruzada e o Cerco de Constantinopla – A luta de Cristãos Contra Cristãos

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O papa Inocêncio III convocara uma nova Cruzada rumo ao Oriente. Mas diferente da Terceira Cruzada, a Cruzada dos Reis, esta cruzada foi voltada para os nobres europeus. Sendo atendida por vários deles, que teve como líder Bonifácio de Montferrat. A cruzada não partiria direto para o litoral do Oriente Médio e sim contra o Egito, região considerada mais frágil dentro dos domínios do Islã, e dessa forma as forças cruzadas poderiam dominar a região e avançar rumo ao norte, rumo à Jerusalém.

Mas de qualquer forma deveriam navegar pelo mar Mediterrâneo.

Para jornada na Quarta Cruzada, os cruzados precisavam de suprimentos e transporte para cruzar o Mediterrâneo. Veneza, uma das principais e mais poderosas cidades portuárias medievais, poderia fornecer este auxílio. No entanto, os cruzados não tinham condições financeiras para pagar os serviços, já que eram serviços extremamente caros.

Então ocorreu um acordo entre os cruzados com o doge (magistrado) veneziano Enrico Dandolo, onde os venezianos ofereceriam embarcações e mantimentos para os cruzados e, em troca, receberiam ajuda para atacar a cidade de Zara, que fazia parte dos domínios do rei da Hungria e era uma cidade cristã. O ataque contra Zara foi realizado em 1202.

Os cruzados, então, solicitaram sua parte no acordo, com a travessia do Mediterrâneo, mas Enrico Dandolo informou que as tempestades de inverno fariam com que a viagem fosse muito perigosa, indicando que a travessia se desse apenas na primavera. As forças cruzadas se tornaram “reféns” dos venezianos.

Então o ataque a Zara se transformou em um problema para os cruzados. O ataque desagradou Inocêncio III, já que os cruzados (cristãos) haviam derramado sangue de cristãos, e o papa excomungou os cruzados. Mas esta excomunhão foi revogada, visto que os poderosos venezianos tinha amparado “está rústica multidão do norte”

Mas os líderes da Cruzada precisavam de um plano para que fosse desmanchada a indisposição junto ao Papado. Esse problema poderia ser resolvido com as desavenças dentro do Império Bizantino.

Isso ocorreu quando o príncipe Aleixo Ângelo, filho do imperador Isaac II Ângelo, encontrou os cruzados e lhes fez uma proposta. Seu pai estava em conflito com usurpadores e foi deposto e substituído por um usurpador, que se intitulou de Aleixo III, e Aleixo Ângelo organizava um ataque para reaver o trono ao pai.

Aleixo Ângelo fez várias promessas aos cruzados, inclusive, liquidar a dívida dos cruzados com os venezianos, o que satisfazia, e muito, Enrico Dandolo e reunificar as igrejas Oriental (ortodoxas) e Ocidental (católica), sob comando de Roma, o que poderia satisfazer o Papado Romano.

O ataque para recuperar o trono ocorreu em 1203, com venezianos avançando por mar e os cruzados por terra. Diante da poderosa investida, Aleixo III e os demais usurpadores fugiram de Constantinopla.

O imperador Isaac II foi reentronizado e Aleixo Ângelo foi entronizado como coimperador, com o título de Aleixo IV, e Enrico Dandolo mantinha um grande poder junto ao imperador bizantino. Isaac II sabia das dificuldades em pagar aquelas demandas prometidas pelo seu filho. E Aleixo IV não cumpriu com várias promessas feitas aos cruzados. Isso aflorou ainda mais as divergências entre latinos e bizantinos.

Neste ínterim o papa soube do ataque contra Constantinopla, e novamente sua fúria caiu sobre os cruzados, ameaçando excomungar (de novo) os cruzados, mas esta empreitada havia sido abençoada por um delegado papal. Então o Papa decidiu tirar proveito daquela situação, podendo levar a Igreja Ortodoxa aos domínios de Roma.

As forças cruzadas foram postas para fora de Constantinopla, sob ordens de Aleixo IV. Sem as forças cruzadas na cidade, Aleixo Ducas, genro de Aleixo III (o usurpador) deu início a um golpe de Estado. Isaac II acabou morrendo de causas naturais e Aleixo IV foi estrangulado.

Os cruzados, então, decidiram atacar Constantinopla. O primeiro ataque foi rechaçado. Mas em abril de 1204, ocorreu um novo ataque. O resultado foi um dos mais violentos cercos da história das Cruzadas.

Com a cidade subjugada deu-se início a uma onda de saques e violência por Constantinopla. A cidade foi espoliada de todas suas riquezas.

Os cruzados tomaram o poder bizantino, estabelecendo o Império Latino de Constantinopla, elegendo o Conde de Flandes, Balduíno, como imperador. Este Império Latino duraria até 1261, quando Miguel VIII Paleólogo reconquistou Constantinopla.

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