“Revolução dos Bichos”

Revolução dos Bichos
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Bianca Siqueira de Araujo
Graduanda em Ciências Sociais - Univasf

A história retratada em “A Revolução dos bichos” por George Orwell é uma alegoria do cenário sócio político de uma revolução da classe trabalhista, retratando a luta de classes proposta por Marx e Engels. 

Nesta metáfora os animais representam os trabalhadores e os donos da fazenda representam a burguesia, onde os donos dos meios de produção exploram os animais e tiram deles os produtos que eles mesmos gerem. Neste contexto, um porco ancião, idoso e sábio desperta a consciência dos demais animais, fazendo-os perceber a condição desumana e degradante que sua classe é tratada, gerando o sentimento de revolta entre os bichos.

Assim, a revolução se dá de maneira bem rápida, quando o porco ancião já está morto, numa tarde em que os animais são mal alimentados e sofrem duras surras de seus proprietários, eles se juntam e expulsam seu opressor para fora da fazenda, tomando o controle e autonomia do lugar para si.

Neste cenário de revolução, dois porcos tomam a frente da liderança dos animais e, por vezes, entram em divergência sobre todas as questões que abrangem a liderança e a administração da fazenda. Os porcos começam a ter status de superioridade dentro do contexto político estabelecido e, passam a dominar o sistema de produção, tomando para si privilégios em detrimentos dos outros animais. Em dado momento, um dos porcos dá um golpe no outro porco que buscava a igualdade com os demais bichos, e toma o poder para si, centralizando a liderança da fazenda.

Os bichos mesmo insatisfeitos, se mantém quase apáticos a situação injusta que os porcos estabelecem, apesar de um ou outro levante por parte das galinhas ou dos cachorros e cavalos, não há grande revolta por parte dos animais. Nesta história, as ovelhas representam a classe média, o autor demonstra a importância do domínio e manipulação da classe média por parte da classe dominante; por várias vezes as ovelhas apenas reproduzem o discurso ou o bordão imposto pelos porcos, silenciando os outros animais mais explorados.

O fim do livro nos mostra porcos andando sobre duas patas, vestindo roupas humanas e conversando com outros homens fazendeiros, de igual para igual, igualando-se aos homens, antes opressores deles. Finalizando a grande mensagem que George Orwell traz na história: Um dia conseguiremos distinguir a diferença entre porcos e homens. 

Para além dessa mensagem central, sobre quem está ao nosso lado ou não, dentro da lógica da revolução, tem também questões fundamentais retratadas como a manipulação das massas, a falta de instrução à classe trabalhadora que se deixa dominar novamente, saindo da condição de servo para retomar a condição de servo sob um novo regime, porque não houve momento de libertação e autonomia por parte dos bichos através da consciência coletiva, e sim, foram usados como instrumento para uma revolução que garantiu a alternância de poder na mão de outra classe dominante. 

Apesar de ser usado por conservadores como um grande exemplo de como o regime socialista e comunista é fadado ao fracasso, o livro não se trata sobre uma crítica ao modelo econômico comunista, mas sim uma reflexão sobre erros que podem levar ao fracasso de uma revolução da classe trabalhadora. É um grande erro interpretativo pensar esse livro como anti revolucionário, já que é exatamente o contrário que George Orwell nos mostra: o autor mostra caminhos que NÃO devemos seguir ao buscar a luta anti capitalista.

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