Drops de filosofia: intolerância religiosa

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Pablo Michel Magalhães
Editor
Mestre em História - UEFS
Especialista em Docência da Filosofia - AVM/UCAM

A humanidade possui milhares de religiões… como você tem certeza que a sua é correta e a dos outros é errada?

Essa provocação acompanha a história da humanidade. Já matamos e morremos pela religião; já derramamos sangue, lágrimas e suor por uma profissão de fé. É interessante notar que religião vem de RELIGARE, um termo em latim que significa “ligar de novo o humano ao divino”.

Religar divino e humano, apesar de propor uma conexão, pode também desconectar ou deligar o humano ao humano. Não, não estamos levantando uma bandeira ateísta. Entenda: qual o tipo de ligação é a certa? Qual “religare” é o meio correto? É daí que nasce o diverso, porque temos milhares de “religares” distintos.

A religião é por si uma forma de exclusão? Não. É em como tratamos a religião alheia que fermentamos o sentimento de intolerância. O inferno são os outros, como apontava o filósofo francês Jean-Paul Sartre.

Os massacres em nome da fé, as guerras religiosas e a inquisição da Idade Moderna, a demonização da cultura afro e afrobrasileira… isso só é possível no momento em que hierarquizamos as religiões e enxergamos no outro o inferno, como diria Sartre.

Rousseau, pensador do iluminismo, havia proposto no século XVIII a “religião civil”. Não era uma religião propriamente dita, mas um corpo doutrinário que visava, sem interferir nas religiões históricas, promover a coexistência pacífica entre as diversas opiniões religiosas.

Com uma religião civil ou não, pergunto-me se, depois de tantas guerras em vão por uma supremacia religiosa, estaríamos prontos para a tolerância ao diverso, àquele que vê o mundo com outro filtro.

Se estamos prontos a entender que há pessoas que se religam ao divino de outras formas.

Esse quadrinho é do @o_capirotinho do cartunista @guilherme.infante

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