Pão mofado: o antibiótico dos egípcios.

Compartilhe
Pablo Michel Magalhães
Mestre em História - UEFS
Especialista em Filosofia - UCAM

Milhares de anos antes da penicilina, os egípcios na Antiguidade descobriram uma arma contra as infecções: o pão mofado.

O Egito Antigo se estendia ao longo de 1000 quilômetros de extensão à beira do Rio Nilo. A terra preta que ficava na área era propícia para a agricultura, e foi a partir dela que o império se ergueu. Um oásis de clima seco em meio a um deserto.

As questões geográficas, sociais e culturais propiciaram que o Egito Antigo durasse tanto tempo. Do século IV a.C. até o século I d.C.

Continua após o anúncio

Podemos ter uma ideia de sua extensão histórica na tabela abaixo:

Ao longo de toda uma era, essa civilização cresceu e floresceu em diversas áreas do conhecimento. Em especial, a atenção deles estava voltada para 3 assuntos: os deuses, os vivos e os mortos. A medicina, então, trafegaria por estes temas.

A medicina egípcia, sem dúvidas, possuía um conhecimento aprofundado sobre o corpo humano, sua saúde e suas doenças, mas, principalmente, sobre seus tratamentos e processos de cura.

Todo esse saber foi encontrado em papiros por meio de pesquisas arqueológicas na região. Abaixo, confira a relação:

  • Ramesseum – 1900 a.C.
  • Kahoun – 1859 a.C.
  • Ebers, Edwin Smith e Hearst – 1550 a.C.
  • Londres – 1350 a.C.
  • Berlin e Chester Beatty – 1300 a.C.
  • Carlsberg – 1200 a.C.

Os nomes dos papiros estão relacionados ora à cidade onde foram encontrados, ora à cidade onde foram depositados, ora ao descobridor que os achou. Os anos são referentes à datação de quando foram escritos.

Continua após o anúncio

Esses documentos são compilações do sec. XV e XIV a.C de papiros ainda mais antigos! Ou seja: a medicina egípcia remonta a um período quase imemorial, perdido nas brumas do tempo.

A medicina egípcia inclusive seria a base para os conhecimentos médicos de demais civilizações. Na Odisséia, poema épico de Homero e principal referência cultural dos gregos antigos, há referência à medicina egípcia.

Os egípcios possuíam um profundo conhecimento sobre a estrutura do corpo humano. Podemos usar como exemplo Atótis, faraó da 1a Dinastia, tem atribuída a si a autoria de um livro de anatomia.

Do uso de drogas para tratamento de doenças, passando pela função dos órgãos no corpo humano, até a compreensão do processo de adoecimento e cura, a produção médica egípcia atingiu níveis bastante complexos.

Continua após o anúncio

Não podemos esquecer, também, da relação com a cosmogonia egípcia. Religião e ciência caminhavam juntas. Thoth na mitologia egípcia foi o deus criador da medicina. As receitas curativas desse deus seriam a base de todas as descobertas médicas posteriores.

Thoth, deus da sabedoria, criador da medicina

No papiro de Ebers (1550 a.C.), há a seguinte menção:

“Thoth faz com que falem os escritos, crie a coleção de receitas e dá poder aos sábios e médicos que estão teu serviço para livrar quem deus ama”

Nesse mesmo papiro, no livro das feridas, há uma seção sobre pão mofado como remédio para cura de infecções, indicado para distúrbios intestinais, problemas renais e feridas purulentas.

Na ferida infeccionada, pão com fungo era prescrito para ser colocado sobre o local.

Até o ano de 1928, cinco mil anos depois, a ciência moderna chegou, o cientista Alexander Fleming descobriu que a penicilina tinha um grande efeito como antibiótico em bactérias.

Qual é a relação do pão com o antibiótico?

Continua após o anúncio

Quando o pão apodrece, ele secreta um fungo chamado Penicillium, do qual deriva a penicilina, o antibiótico mais famoso usado para tratar alguns tipos de bactérias conhecidas pelos egípcios há 5.000 anos.

Assista nosso vídeo especial sobre esse tema:

SUGESTÃO DE LEITURA

Livro Raízes históricas da medicina ocidental, de Raymundo Manno Vieira. Link – https://g.co/kgs/zv9nNG