Disputas, Invasões e Guerras na Idade Média

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Na Idade Média conflitos eram recorrentes na formação dos reinos no estabelecimento de suas fronteiras. Além disso, muitos reinos estavam suscetíveis a invasões, e não somente com o intuito de pilhagem.

Durante o período conhecido como Alta Idade Média, as invasões contra os reinos que se formavam foram diversas. Na região central e leste da Europa as tribos conhecidas como magiares, realizavam ataques e saques, avançando cada vez mais no interior europeu, até serem confrontados por Oto I, imperador do Sacro Império Romano Germânico, na Batalha de Lechfeld em 955. Os magiares foram derrotados e tiveram sua expansão interrompida.

O Império Bizantino, tendo a frente o imperador Justiniano, tentou reconquistar os territórios que, outrora, formavam o Império Romano, (século VI) conseguindo reaver vários territórios na África e Europa, mesmo que de forma efêmera.

As Conquistas de Justiniano (sec. VI)

No oeste, na Península Ibérica, a região quase inteiramente dominada pelos muçulmanos no século VIII, após derrotarem os Visigodos na Batalha de Guadalete (711). Os cristãos, que dominavam apenas a região ao norte da Península, passaram a lutar no confronto que ficou conhecido como Reconquista, e este confronto, entre cristãos e muçulmanos, pelo domínio daquela região perdurou por quase oito séculos.

No norte, os escandinavos (vikings) realizavam incursões e pilhagens nos litorais de vários reinos, e a medida que obtinham sucessos, avançavam para o interior da Europa, aproveitando as rotas fluviais, e se tornaram numa ameaça constante para os reinos europeus, dos séculos VIII e XI.

Ataque Viking descrito em uma iluminura do século XII, autor desconhecido

Estes ataques resultavam no aumento da insegurança, em consequência a Europa viu a proliferação de fortificações e castelos. O fortalecimento dos senhores locais fragilizava, ainda mais, o poder dos reis. E a insegurança prejudicava, ainda mais, as rotas comerciais.

Foi em meio a esta situação (insegurança, aumento do poder dos senhores locais, fragilização do poder real, retração comercial) que emergiu o sistema social e econômico que prevaleceu na Europa, durante a Baixa Idade Média, o Feudalismo.

Com relação as guerras na Europa Medieval, a mais longa foi a Guerra dos Cem Anos, que envolveu a França contra a Inglaterra, e durou 114 anos. Este conflito teve início com a morte do rei Carlos IV, da França. Então Eduardo III, rei da Inglaterra, sobrinho do falecido rei, reivindicou o trono, mas como a sua descendência era pela linha feminina, Isabel da França, e os franceses, então, utilizaram a antiga lei sálica, que impedia a sucessão do trono pela linha feminina. O trono francês era pretendido por  outros nobres franceses, e em uma Assembleia nomearam Felipe de Valois (futuro Felipe VI) como rei da França.

A frágil paz entre os dois reinos acabou depois do envolvimento francês na guerra da Inglaterra contra a Escócia (em que a França apoiou a Escócia). Esta interferência, além de disputas econômicas entre os dois reinos no comércio com Flandres, foram pretextos para Eduardo III reivindicar o trono francês.

A guerra não era travada por batalhas constantes, mas por períodos de conflitos, intercalados por momentos de relativa paz. A guerra pode ser dividida em três eras: Era Eduardiana (1337 – 1360); Era Carolina (1369 – 1389) e a Guerra de Lancaster (1415 – 1453).

Por diversas vezes a vitória parecia ser inglesa, principalmente após as vitórias em batalhas como Crecy, Poitiers e Agincount. Contudo, a França possuía muitos recursos, o que impedia a derrota na guerra. A ascensão de Joana D’Arc a frente de um exército francês, aumentou o fervor pela libertação da ameaça inglesa. As decisivas vitórias francesas em Patay, Formigny e Castillon (esta última com importante utilização de canhões) findaram a guerra a favor da França.

Joana d’Arc entra em Orleans sitiada pelos ingleses autor Jean-Jacques Scherrer