Jogo Real de Ur – O Primeiro Jogo de Tabuleiro

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Cleber Roberto Silva de Carvalho
Especialista em História do Brasil - Faculdade Montenegro

As escavações em regiões onde se registraram o surgimento das primeiras civilizações podem resultar na descoberta de vários tipos de artefatos: Objetos usados na agricultura, equipamentos bélicos, peças utilizadas em ritos religiosos e objetos de diversão, como jogos…

E foram em escavações na antiga cidade-estado de Ur, região que fora a Mesopotâmia (e atualmente o Iraque), realizada por uma expedição organizada pelo Museu Britânico em conjunto com a Universidade da Pensilvânia, e liderada pelo arqueólogo inglês Sir Leonard Woolley, entre 1922 à 1934, que resultaram na descoberta de tabuleiros de um jogo, que devem ter sido confeccionados no século XXVI a.C, que foram chamados de Jogo Real de Ur.

UM JOGO DA ELITE

A confecção do Jogo Real de Ur dá a entender que o mesmo era Jogado pelos nobres e por indivíduos do circulo mais próximo.

Isso é evidenciado pela elaborada confecção dos tabuleiros, que foram ricamente trabalhados em madeira, com incrustações em madrepérola e lápis-lazúli, que atestavam o elevado nível técnico do artesanato mesopotâmico.

Exemplar do jogo no Museu Britânico

COMO SERIAM AS REGRAS DESTE JOGO?

As regras originais deste jogo são desconhecidas e o modo pelo qual o jogo pode ser jogado atualmente foi baseado em documentos escritos e ilustrações de pessoas jogando jogos parecidos.

A “reconstituição” das regras diz que o Jogo Real de Ur pode ser jogado por duas pessoas, utilizando quatorze peças, sendo sete peças para cada jogador.

As peças se movimentam pelo tabuleiro utilizando três dados triangulares que determinam o número de casas que as peças devem percorrer a cada rolagem.

As peças começavam fora do tabuleiro e quando completavam o percurso eram novamente retiradas.

Vencia o primeiro que conseguisse fazer todas as suas peças atravessarem o tabuleiro. Além disso, o jogo poderia possuir outras regras.

As casas com rosetas traziam benefícios, possivelmente davam chance de jogar novamente ou de serem casas seguras, onde as peças não podiam ser capturadas.

Alguns destes tabuleiros e suas peças encontram-se em exposição no Museu Britânico, em Londres, e atualmente existem várias versões do jogo.