O Sonderkommando Elbe e o Esquadrão Leônidas – Os “Kamikazes” da Alemanha Nazista

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Cleber Roberto Silva de Carvalho
Especialista em História do Brasil - Faculdade Montenegro

A Segunda Guerra Mundial na Europa avançava e a Alemanha, com várias derrotas nos campos de batalha nos fronts em que ela lutava, sentia, enormemente, a pressão do poderio Aliado.

Nessa situação os alemães adotaram medidas extremas. Uma delas foi a implementação pela força aérea alemã, a Luftwaffe, de uma força-tarefa, chamada de Sonderkommando Elbe, com objetivo de chocar aviões alemães contra os bombardeiros Aliados, em voo, e impedir os intensos bombardeios Aliados contra a Alemanha. Mas diferente dos Kamikazes japoneses, os comandantes alemães não exigiam que seus pilotos ficassem nos aviões até o impacto, os mesmos poderiam acionar o paraquedas pouco antes do choque.

Ilustração de um ataque de uma aeronave do Sonderkommando Elbe

A primeira e única missão da Sonderkommando Elbe ocorreu na região da Saxônia, em 7 de abril de 1945, e já demonstrava a drástica diferença de equipamentos entre Alemães e Aliados. Cerca de 100 caças Messerschmitt Me-109, protegidos por 50 caças Messerschmitt Me-262, avançaram contra quase 1.300 bombardeiros Aliados, que eram escoltados por cerca de 800 caças.

Durante o ataque não havia comunicação via rádio com os pilotos que realizariam as colisões. Havia apenas “música de marcha” e uma voz feminina enviando slogans ideológicos nazistas para os jovens voluntários.

No final as perdas foram desproporcionais. Quinze bombardeiros Aliados foram atacados e somente oito foram destruídos. Entre a força alemã, apenas quinze pilotos regressaram da sua missão.

Aeronave Aliada atingida

O Esquadrão Leônidas

E no mesmo período de reveses na Guerra que surgiu, em 1944, a ideia de um Esquadrão, vinculado a unidade aérea Kampfgeschwader 200, da Força Aérea Alemã, que posteriormente foi conhecido como Leonidas Squadron (Esquadrão Leônidas).

Esta unidade receberia treinamento para utilizar a aeronave Fieseler Fi 103R, uma versão tripulável da bomba voadora V-1. ISSO MESMO, os pilotos desta unidade receberiam treinamento para missões suicidas.

Fieseler Fi 103R

A ideia proposta era utilizar voluntários como os pilotos suicidas, numa tentativa de superar desvantagem com relação às forças Aliadas. O ministro Heinrich Himmler tanto aprovou a ideia como sugeriu o uso de criminosos condenados como pilotos. Mas Alto Comando da Luftwaffe não estava inclinado a aceitar a ideia e o comandante-chefe da Força Aérea Alemã, Hermann Göring, demonstrou pouco interesse.

Até mesmo Adolf Hitler foi contrario aquela ideia, pois mesmo com as derrotas nos vários fronts, não via a situação de guerra como sendo desfavorável para exigir medidas tão extremas. Contudo, permitiu o progresso daquele projeto.

Mas o Esquadrão Leônidas encontrou uma série de problemas…

O plano de operação era atacar as forças Aliadas utilizando tanto o Messerschmitt Me 328 e o Fi Fieseler 103, que eram aeronaves adaptáveis para aquele tipo de operação.

Mas ocorreram problemas na produção do Messerschmitt Me 328 e o Fi Fieseler 103 foi preterido para aquela operação. Contudo, também, ocorreu uma série de problemas técnicos e estruturais na aeronave durante os testes (inclusive com mortes de pilotos) e a operação do Fi 103 foi cancelada.

Então, em 9 de Junho de 1944, o comandante Karl Koller, anunciou que um esquadrão da Kampfgeschwader 200, equipado com aviões Focke-Wulf Fw 190 estava pronta para “operações totais”. Estas aeronaves, devido o peso dos explosivos, só tinham combustível suficiente para “viagem de ida”.

Focke-Wulf Fw 190

Só que a utilização desta unidade se deu na reta final da Guerra na Europa.

O Esquadrão Leônidas entra em ação

E foi durante a Batalha de Berlim que o Esquadrão Leônidas entrou em operação. Foi uma única ofensiva, realizada por trinta e cinco pilotos e suas aeronaves, com o intuito de destruir as pontes sobre o rio Oder, que estavam dominadas pelas forças soviéticas, numa tentativa de impedir o avanço do Exército Vermelho. As missões foram realizadas entre os dias 17 Abril e 20 de Abril de 1945, sendo utilizadas as poucas aeronaves que estivessem disponíveis. E nestas missões suicidas a Luftwaffe indicou que o esquadrão destruiu dezessete pontes. O que é contestado pelo historiador militar Antony Beevor, indicando que somente uma ponte, a ponte ferroviária em Küstrin, foi destruída.

E as missões do Esquadrão Leônidas foram interrompidas quando as forças soviéticas chegaram às cercanias da base aérea do esquadrão.