A Revolução Pernambucana de 1817 – O Último Levante antes da Independência

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Cleber Roberto Silva de Carvalho
Especialista em História do Brasil - Faculdade Montenegro

A Revolução Pernambucana de 1817, também conhecida como “Revolução dos Padres”, devido o número de religiosos que participaram da revolta, foi um movimento que desejava a emancipação da capitania de Pernambuco.

Uma das “sementes” para eclosão desta revolução foi a vinda da Família Real Portuguesa para Brasil, em 1808. O problema da vinda da Família foi a grande séquito que acompanhou a mesma, por volta de 15 mil pessoas, entre nobres, membros da corte e funcionários do governo português, que em sua maioria assumiam cargos na administração local, apenas, para receber o pagamento de salários. Além disso a alimentação, vestuário e festas, eram bancadas eram bancadas pelas capitanias.

A capitania de Pernambuco enviava grandes somas de dinheiro para o Rio de Janeiro, em forma de diversos impostos, criados por Dom João VI, até impostos para custeio da iluminação pública do Rio de Janeiro eram pagas pelos pernambucanos, enquanto Recife, praticamente, não tinha esse tipo de iluminação. Isso elevava a insatisfação popular, que era somada com outros problemas.

No ano de 1816, uma devastadora seca afetava a região, causando a miséria, e consequentemente fome na população mais carente. A seca ainda afetava as lavouras de açúcar e do algodão, gerando queda na produção destes produtos, que eram a base econômica de Pernambuco, que além da queda na produção, passaram a sofrer com a concorrência do algodão dos Estados Unidos e do açúcar do Caribe.

A Insatisfação leva a Revolução

A insatisfação aumentava em Pernambuco. Em Recife o sentimento era que a população pernambucana, os “patriotas de Pernambuco”, estavam sendo explorados pelos portugueses da chamada “Nova Lisboa” que estava sendo arquitetada no Rio de Janeiro, e para piorar a situação, com a saída da corte de Lisboa, Portugal entrou em crise, e muitos portugueses passaram a vir para o Brasil, tomando empregos e cargos públicos dos brasileiros. O sentimento anti-lusitano era crescente entre a população, inclusive ente a elite canavieira.

O Iluminismo e os ideais liberais passaram a esta presentes na sociedade pernambucana, que também era influenciada pela independência dos Estados Unidos e pelos ideais da Revolução Francesa.

Grupos passaram a se reunir com o intuito de iniciar uma rebelião, acabando com o domínio lusitano em Pernambuco e instaurando uma república. Foi iniciado o recrutamento, realizando os preparativos para Revolução. Contudo começou a surgir rumores no Recife que estava ocorrendo uma conspiração, o governador da Capitania, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, deu início a repressão do movimento, ordenando a prisão dos líderes rebeldes.

Começa a Revolução

Bandeira da Revolução Pernambucana

A Revolução teve início do dia 06 de março de 1817. O comandante do Regimento de Artilharia da Capitania de Pernambuco, Manoel Joaquim Barbosa de Castro, teve a missão de prender os militares do seu Regimento que estivessem envolvidos com a Revolução. José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro.

Acompanhado de outros militares rebeldes, conseguiram assumir o controle do quartel, e armou barricadas, detendo o avanço de tropas realistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, onde se rendeu.

Os líderes Domingos José Martins, Antônio Cruz e os padres João Ribeiro e Miguelinho foram os principais líderes dessa insurgência. Eles organizaram um governo com representantes religiosos, militares, comerciantes, engenhos.

Bênção das bandeiras da Revolução de 1817, óleo sobre tela de Antônio Parreiras.

A Revolução tinha o intuito de implantar um regime republicano, sendo decidido abolir títulos de nobreza, reduzir impostos, conceder aumento para os militares e aumentar a liberdade de imprensa. Contudo a questão abolicionista ficou em segundo plano, pois o movimento precisava do apoio dos senhores de engenho e estes tinha como principal mão-de-obra a escrava.

O governo revolucionário tentou apoio em outras regiões do Norte e Nordeste, mas o apoio foi mínimo, tanto pela falta de apoio popular, como pela pressão das forças portuguesas.

A Repressão ao Movimento Revolucionário

Temendo a expansão do movimento revolucionário, Dom João VI enviou forças militares para iniciar o cerco contra Recife, tanto por terra como pelo mar.

As forças revolucionárias haviam sofrido com reveses em batalhas nos engenhos do interior, com perdas de armas e homens, e recuaram para capital. Sem ter como resistir as investidas das forças lusitanas, o governo provisório republicano de Pernambuco se rendeu ao inimigo em 20 de maio de 1817.

Alguns líderes, como Teotônio Jorge, padre Miguel Joaquim de Almeida e Castro (Miguelinho), Antônio Henriques e José de Barros Lima, foram capturados e condenados à morte, culminando no fim da Revolução Pernambucana, outros membros do movimento como Frei Caneca e o padre Francisco Muniz Tavares, foram anistiados em 1821.