A Corrupção Durante a Ditadura Militar no Brasil

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Cleber Roberto Silva de Carvalho
Especialista em História do Brasil - Faculdade Montenegro

Como citar este artigo:
CARVALHO, Cleber Roberto Silva de. A corrupção durante a Ditadura Militar no Brasil (Artigo). IN: O Historiante. Publicado em 31 de Março de 2021. Disponível em: https://ohistoriante.com.br/blog/2021/04/15/o-tempo-e-a-temporalidade/. ISSN: 2317-9929.

Existe o mito de que não existia corrupção durante a Ditadura Militar no Brasil. Contudo neste período ocorreram diversos casos de corrupção, superfaturamento no custo de obras, pagamentos ilegais de comissões, evasão de divisas, peculato, entre outros crimes.

A corrupção envolvia várias esferas, tanto militares quanto civis. Mas que, devido à censura prévia dos meios de comunicação, os muitos casos de corrupção não eram divulgados pela imprensa.

Então vamos conhecer alguns casos de Corrupção na Ditadura Militar.

Caso Lutfalla

O Caso Lutfalla ocorreu durante o governo de Ernesto Geisel, quando o BNDE concedeu volumosos empréstimos a Empresa têxtil Lutfalla, que pertencia então a esposa de Paulo Maluf, governador de São Paulo.

O então presidente do BNDE se negou a conceder o empréstimo, pois sabia que a empresa estava em processo de falência. Contudo Maluf usou sua influência junto aos militares para conseguir a liberação do empréstimo. O dinheiro emprestado acabou sendo perdido.

Militares Contrabandistas

Esse escândalo envolvia militares do 1º e 2º Batalhão da Polícia do Exército, os mesmos mantinham relacionamento com contrabandistas do Rio de Janeiro, um dos líderes do grupo era o capitão Ailton Guimarães Jorge.

Estes militares faziam negociações com contrabando, comercializando ilegalmente caixas de uísques, perfumes e roupas de luxo, inclusive roubando a carga de outros contrabandistas.

Ailton Guimarães foi preso pelo SNI (Serviço Nacional de Informação) mas seu testemunho foi desconsiderado, pois segundo as autoridades foi conseguido por meio de tortura(!!!). Já na vida civil Ailton Guimarães Jorge virou bicheiro e presidente da escola de samba Vila Isabel.

Locomotivas da GE

Houve o pagamento ilegal de comissão pela General Eletric para vender 180 locomotivas para o Brasil em 1969. Os militares da Junta Militar que precedeu o governo Médici haviam aprovado um “Fundo Especial” para essa compra.

Na época, um dos diretores da empresa no Brasil era Alcio Costa e Silva, irmão do ex-presidente Costa e Silva, morto em 1969. Na investigação de 1976, o CADE apurou a formação de um cartel de multinacionais para o pagamento de subornos e comissões a autoridades para a obtenção de contratos.

O Escândalo da Mandioca

Foi o maior escândalo financeiro de Pernambuco, ocorrido no período entre 1979 e 1981 na agência do Banco do Brasil da cidade de Floresta. O golpe consistia na obtenção de documentos falsos (como documentos de propriedades fictícias e agricultores fantasmas) para conseguir créditos agrícolas junto ao Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) para o plantio de vários gêneros agrícolas como mandioca, feijão e cebola.

Os empréstimos eram feitos em seguida os “agricultores” alegavam que a seca destruíra as plantações e ninguém pagava nada. O escândalo teve 26 envolvidos, entre funcionários do Banco do Brasil, agricultores, e militares como o major José Ferreira dos Anjos da Polícia Militar de Pernambuco. Este escândalo resultou no desvio de cerca de Cr$ 1,5 bilhão.

Superfaturamento da Construção da Hidrelétrica de Itaipu

Havia o projeto de construção de Itaipu ainda no governo João Goulart, que estava orçada em 1,5 bilhão de dólares. Após o golpe de 64, o governo militar substituiu o projeto por outro, que custou dez mais, 13 bilhões de dólares.

O diplomata José Jobim desapareceu uma semana depois de revelar que denunciaria o superfaturamento na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu em um livro de memórias. O mesmo havia sido sequestrado, torturado e morto pela Ditadura Militar.

Superfaturamento da Construção da Ponte Rio-Niterói

O projeto teve mudança de consórcios em sua construção. O valor inicial para construção era de 238 milhões de cruzeiros (por volta de 44 milhões de dólares), os números finais da construção nunca foram divulgados, sendo censurados pelo Governo Militar.

Mas estimativas (segundo Jornal o Globo) indicam que no final a Ponte Rio-Niterói saiu pelo valor de 3,7 bilhões de cruzeiros (cerca de 674 milhões de dólares), ou seja, 15 vezes mais cara que o orçamento inicial.

A Estrada e a Lama da Transamazônica

Foi uma obra bilionária que não foi concluída pelos militares, durante o governo Médici. O projeto previa a ligação de Cabedelo, na Paraíba até a cidade de fronteira de Benjamin Constant, no Amazonas.

A ideia era seguir até o pacífico pelo Peru e o Equador. Além do crime ambiental, causado pelo desmatamento, expulsão de povos indígenas e seringueiros, a obra consumiu 1,5 bilhão de dólares à época. Ao final, a Transamazônica acabou 687 quilômetros antes do previsto e sem asfalto.