Waterloo: a última cartada de Napoleão

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Em 18 de junho de 1815, Napoleão Bonaparte perdeu a batalha contra a Inglaterra e a Prússia, que usaram uma nova arma para a época. As potências europeias deportaram Napoleão 1º para Santa Helena.

Da redação
Com informações de DW e Aventuras na História

Napoleão 1º deixou o seu exílio na ilha de Elba em 26 de fevereiro de 1815 para retornar à pátria, no sul da França. Em 20 de março, ele foi recebido com triunfo em Paris. Pouco tempo depois, a Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia decidiram recomeçar a guerra contra Napoleão.

Para retomar o poder e unir a França no século XIX, o imperador preparou o país contra a coalizão europeia que já o tinha derrotado anteriormente.

O retorno do Imperador

Quase um ano depois da sua abdicação, Napoleão Bonaparte aportou no sul da França com 1500 homens para reconquistar Paris, aonde chegou em 20 de março de 1815, após 20 dias de viagem. A França voltara a ser uma monarquia em que bonapartistas, liberais independentes, monarquistas e as massas descontentes mantinhamse em constante conflito, embora a maioria apenas desejasse uma democracia liberal.

Surpreendidos pela ação audaciosa do imperador, tanto o governo quanto os grupos monarquistas tentaram coordenar esforços para impedi-lo de retomar o poder. Luís XVIII enviou exércitos para prendê-lo, mas soldados e comandantes se renderam ao fulminante carisma do antigo soberano.

Além de admiração e respeito, muitos altos oficiais lhe deviam suas carreiras militares, títulos e fortunas. Como resultado, o rei saiu de Paris em 13 de março, refugiando-se em Ghent, na atual Bélgica. “Nunca antes na história um imperador tinha ganhado um império apenas ao mostrar o seu chapéu,” diziam os comediantes parisienses.

Aparentemente, não era o imperador deposto que retornava ao poder, mas o homem que melhor personificava o espírito da Revolução no imaginário nacional, embora a emergente burguesia temesse uma reedição da radicalização dos anos 1793 e 1794.

Crise interna

Em todo o país, a autoridade do novo governo imperial napoleônico era desafiada ou ignorada. Deputados e funcionários públicos agiam de maneira ultrajante, com total impunidade. O presidente da Câmara de Deputados, por exemplo, conclamava seus eleitores em Bordeaux a não acatar as ordens do governo central, nem pagar impostos aos coletores imperiais, enquanto atos de rebelião cresciam assustadoramente.

Nas igrejas, padres pregavam a revolta e a confrontação, enquanto bispos estimulavam a desobediência civil.

Preparação para a batalha

Napoleão na Moscou incendiada – Adam Albrecht (1841)

Embora a França enfrentasse graves ameaças internas, o foco do imperador era preparar o país para enfrentar a coalizão europeia. Assim, entre 21 de março e a segunda semana de junho, 95% das ordens, cartas e decretos endereçados a seus ministros e a outros altos funcionários públicos versavam sobre providências relativas aos preparativos para a guerra iminente.

Em abril, o ministro Lazare Carnot organizaria 2,2 milhões de homens, entre 20 e 60 anos, na Guarda Nacional, ampliando-a significativamente, além de ativar 204 batalhões com 144 mil homens. Ao mesmo tempo, fomentava um vigoroso programa de produção de armas e material bélico. Mais tarde, Napoleão reconheceria a capacidade administrativa do seu ministro do interior, concedendo-lhe o título de conde.

O imperador francês aproveitou o entusiasmo na França para organizar um novo exército e, em seguida, marchou com 125 mil homens e 25 mil cavalos para a Bélgica, a fim de impedir a coalizão dos exércitos inglês e prussiano.

Seus inimigos já estavam mobilizados, cinco dias após a volta de Napoleão a Paris. Áustria, Prússia e Rússia, cujos governos autocráticos desejavam reprimir as ideias revolucionárias que ele representava, incluindo a igualdade de direitos perante a lei, o antifeudalismo e a tolerância religiosa, voltaram a se unir à Grã-Bretanha para formar uma nova coalizão contra o restaurado império francês.

A batalha

Pintura de William Sadler retrata a Batalha de Waterloo

Em 26 de junho de 1815, as tropas francesas alcançaram Charleroi. Atrás da cidade, numa encruzilhada, o exército de Napoleão dividiu-se em duas colunas: uma marchou em direção a Bruxelas contra as tropas inglesas de Wellington, e outra, sob o comando do próprio Napoleão, em direção a Fleuru, contra o exército prussiano de Blücher.

Os franceses lutaram contra os prussianos naquela que ficou conhecida como a Batalha de Ligny. As forças de Michel Ney foram enviadas para a localização onde estavam estacionadas as tropas do duque de Wellington. O objetivo era impedir o avanço dos ingleses enquanto a luta contra os prussianos era travada. Nessa batalha, os prussianos tiveram o centro de seu exército enfraquecido pelos franceses e foram derrotados.

O comandante Blücher decidiu fugir do campo de batalha, e sua tropa foi seguida pelas tropas lideradas por Emanuel de Grouchy. O objetivo de Grouchy era direcionar os prussianos para o mais distante possível, a fim de evitar que eles unissem forças com Wellington.

Os ingleses usaram uma arma nova poderosa contra as fileiras compactas das tropas francesas. A arma eram granadas, espécie de balas de chumbo dentro de um invólucro de aço, que podiam ser disparadas a longas distâncias. Essa arma causou baixas terríveis.

Porém, os franceses pareciam levar a melhor, exigindo do comandante Inglês o uso dos seus últimos recursos. Quando tudo parecia perdido, e Napoleão visualizava a vitória, chegaram os reforços.

O comando avançado prussiano chegou, finalmente, ao campo de batalha. Para Napoleão, era evidente que tinha de tomar uma decisão e ordenou a sua combativa Guarda Imperial a atacar. A nova arma de destruição em massa atingiu os franceses em cheio. Para piorar a situação das tropas napoleônicas, as prussianas chegaram pouco depois das 20 horas.

O exército francês ainda tentou fugir, mas a batalha de Waterloo estava decidida. Às 21h30, o prussiano Blücher abraçou o inglês Wellington diante da fazenda Belle Alliance, selando a vitória. 

Segundo exílio e morte

Napoleão aparece nesta obra do francês Paul Delaroche (1797-1859) em Fontainbleau durante a primeira abdicação, em 1814: zangado e aparentemente baixinho.

Depois de ser derrotado, Napoleão retornou a Paris, mas ele permaneceu apenas mais alguns dias no poder francês. Em 24 de junho, ele abdicou novamente ao trono, e foi enviado para o seu segundo exílio. Para evitar que Napoleão retornasse ao poder, os ingleses enviaram-no para a distante ilha de Santa Helena, localizada no Atlântico Sul. Lá Napoleão passou os últimos anos de sua vida e faleceu, em 1821, por conta de um câncer no estômago.

Leia também (obras disponíveis na Amazon):

Waterloo: A história de quatro dias, três exércitos e três batalhas. O confronto que deteve Napoleão, de Bernard Cornwell (CLIQUE AQUI)

Napoleão: uma Vida, de Vincent Cronin (CLIQUE AQUI)

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